Iniciativa busca integrar saúde e alimentação em comunidades periféricas
Na última segunda-feira (24), o Ministério da Saúde deu o pontapé inicial ao projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”, em um evento realizado na Fiocruz, em Recife (PE). Com um investimento de R$ 3,5 milhões, a proposta visa fortalecer o debate e as ações que visam mitigar os impactos da crise climática nas áreas de saúde e alimentação. A iniciativa é direcionada a representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, abrangendo pessoas com escolaridade desde o nível fundamental até superior, que residam ou atuem na Paraíba e em Pernambuco. Além disso, estudantes de graduação e pós-graduação, bem como docentes de instituições públicas de ensino e pesquisa, estão convidados a participar.
A importância do envolvimento da população na formulação de soluções foi enfatizada pela representante do Ministério da Saúde, Lívia Méllo. Ela destacou que muitas vezes as ações se tornam urgentes apenas após ocorrências de desastres. “A pandemia, por exemplo, é uma evidência da crise que surge da interferência humana no meio ambiente. Precisamos reconhecer as experiências que as comunidades já desenvolveram em tais contextos e utilizá-las como tecnologias sociais dentro do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.
O projeto não se limita a abordar os efeitos da crise climática; ele prevê também a criação de 135 Comitês Populares Ambientais nas periferias das regiões metropolitanas, sendo 90 deles em Pernambuco e 45 na Paraíba. O foco é promover articulações entre clima, saúde e alimentação baseadas nos princípios da educação popular.
Leia também: Ministério da Saúde Alerta: Risco de Sarampo Aumenta com a Copa do Mundo 2026
Leia também: Ministério da Saúde Capacita 17,3 Mil Profissionais para Fortalecer a Saúde Mental no SUS
Comitês Populares Ambientais: Um Novo Caminho para a Saúde
Os comitês terão um papel fundamental na promoção da solidariedade comunitária e na vigilância popular em saúde, buscando estabelecer um diálogo produtivo entre o conhecimento técnico e o saber popular. Além disso, essa iniciativa visa transformar as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS) em ações concretas.
Para possibilitar essa estrutura, o projeto irá capacitar 27 estudantes de graduação e pós-graduação. Esses profissionais atuarão como monitores, responsáveis por preparar 270 Agentes Populares Ambientais, que, por sua vez, irão apoiar no planejamento e na implementação das atividades nas comunidades.
Leia também: Ministério da Saúde Envia 2,2 Milhões de Doses de Vacinas Contra a Covid-19 ao País
Leia também: Ministério da Saúde Capacita 840 Profissionais no Paraná para Aumentar Oferta de Implante Contraceptivo no SUS
Formação e Atuação dos Agentes Populares Ambientais
A formação desses agentes terá uma carga horária de 168 horas. Cada comitê será composto por dois Agentes Populares Ambientais e até dez membros da comunidade local. Cada monitor terá a responsabilidade de acompanhar cinco comitês e supervisionar diretamente dez agentes.
Os Agentes Populares Ambientais desempenharão um papel crucial na criação e fortalecimento da rede, atuando na coordenação e planejamento das atividades nas áreas. Eles também terão a tarefa de desenvolver estratégias de comunicação popular, visando dar visibilidade às comunidades e combater a desinformação relacionada a clima e saúde.
Alice Albuquerque, uma das agentes populares ambientais e estudante de artes, expressou sua empolgação com o projeto. Moradora do Centro de Recife, ela acredita que a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer o diálogo com as comunidades. “A gente vai poder escutar quem vive ali, quem conhece de perto os problemas, para buscar soluções coletivas. Nosso papel não é dar aula, mas construir conhecimento junto, de forma popular e coletiva”, ressaltou.
Os agentes serão selecionados por movimentos sociais e devem atuar especificamente em territórios periféricos das regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Para se candidatar, é necessário ter pelo menos 16 anos, disponibilidade de horário, experiência em educação popular e trabalho em grupo, além de uma afinidade com o tema das mudanças climáticas. O projeto é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE), em parceria com o Mãos Solidárias e as universidades de Pernambuco (UPE) e Federal da Paraíba (UFPB).
