Servidores Municipais se Mobilizam em Recife
Nesta quinta-feira (5), servidores municipais do Recife se reuniram em frente à Prefeitura para exigir a abertura imediata da mesa geral de negociações com a administração municipal. O protesto foi organizado pelo Fórum dos Servidores do Recife, com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em virtude da falta de diálogo a respeito do reajuste salarial e demandas específicas de diferentes categorias.
Conforme Davi de Oliveira, representante do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco (SEEPE), a gestão do prefeito ainda não se manifestou sobre o início das negociações, que tradicionalmente se iniciam em janeiro. “Estamos em um período do ano em que a prefeitura já deveria ter convocado a mesa geral para discutir o reajuste salarial e outras questões específicas de cada categoria. No entanto, até agora, não houve nenhuma abertura nem previsão para isso”, declarou Davi de Oliveira.
Edvaildo Ferreira, também presente no ato, destacou a participação de sindicatos que representam professores, enfermeiros, músicos, Guarda Municipal e profissionais da assistência social. A CUT reforçou que a mobilização abrange todas as categorias do funcionalismo público municipal.
Busca por Diálogo e Respostas da Gestão
Durante a manifestação, alguns representantes dos sindicatos tentaram se reunir com integrantes da gestão municipal, subindo até a sede da Prefeitura. Contudo, até o final do ato, não havia uma resposta oficial por parte da administração. “Conseguimos um pouco de avanço apenas ao fechar a rua e aumentar a pressão da mobilização. Os representantes de cada categoria foram até lá, e agora estamos aguardando um retorno concreto”, explicou Edvaildo Ferreira.
A preocupação com um possível adiamento das negociações permeia o clima entre os servidores. Muitos temem que a mesa de negociação não seja aberta ainda neste ano, especialmente com a possibilidade de o prefeito deixar o cargo para disputar a eleição para o Governo de Pernambuco. “A mesa de negociação historicamente acontece até 31 de janeiro. Neste ano, ainda não foi aberta. Nosso receio é que não ocorra agora e tampouco em 2026, caso o prefeito saia para outro cargo”, lamentou Davi.
Desafios e Mobilizações dos Servidores
Os sindicalistas ressaltam que a administração municipal costuma justificar a lentidão nas negociações com questões financeiras, especialmente após o período de carnaval. “As contas da Prefeitura sempre alegam estourar depois do carnaval, mas as nossas obrigações financeiras não esperam esse período para serem pagas”, acrescentou Edvaildo Ferreira.
A pauta geral dos servidores municipais abrange um reajuste de 17,5% no salário base, aumento do auxílio-transporte para aqueles que cumprem 40 horas semanais e a criação de um auxílio-alimentação para os trabalhadores com jornada de 30 horas, que atualmente correspondem a mais de 50% do funcionalismo municipal. Além disso, os sindicatos pleiteiam a criação de mesas setoriais, onde cada categoria possa discutir suas necessidades específicas.
No caso dos enfermeiros, a principal reivindicação é um reajuste salarial de 25%, percentual que, segundo a categoria, já foi concedido a médicos e dentistas no ano anterior. “A nossa bandeira principal é o reajuste de 25%. Esse índice foi dado a outras profissões da saúde, mas os enfermeiros da Prefeitura do Recife não foram contemplados”, ressaltou Edvaildo Ferreira.
Os enfermeiros também buscam um aumento de 25% nas gratificações e a igualização salarial entre aqueles que atuam com jornadas de 30 e 40 horas. “Há uma diferença de mais de dois mil reais entre os salários dos enfermeiros que trabalham 30 horas e os que atuam 40 horas, mesmo realizando as mesmas funções. A nossa solicitação é para que o valor da hora trabalhada seja igual para todos”, concluiu Davi de Oliveira.

