Uma Trajetória Marcante na Política Brasileira
Raul Jungmann, ex-ministro e político de destaque, faleceu no dia 18 de janeiro de 2026, em Brasília, após uma luta contra o câncer no pâncreas. O político, que passou por diversas internações ao longo dos últimos meses, foi hospitalizado inicialmente em novembro de 2025, e chegou a ser liberado para voltar para casa em dezembro. Contudo, em uma reavaliação de sua saúde, Jungmann foi internado novamente na véspera do Natal e, após mais uma alta, foi readmitido no hospital no último sábado (17) antes de seu falecimento.
Em sua carreira política, Jungmann ocupou o cargo de ministro em quatro ocasiões e exerceu três mandatos na Câmara dos Deputados. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, ele foi responsável pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, além de ter atuado no Ministério de Políticas Fundiárias.
Importância nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem
Durante o governo de Michel Temer, Jungmann se destacou coordenando operações importantes, com base em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Essas operações autorizaram a atuação das Forças Armadas em estados que enfrentavam sérias crises na segurança pública, evidenciando sua relevância em momentos críticos.
Desde sua juventude, Jungmann esteve envolvido na política, iniciando sua militância no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo de sua trajetória, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994, fez parte do PPS até 2001, e, em seguida, migrou para o PMDB, retornando ao PPS em 2003, onde permaneceu até 2018.
Legado e Contribuições
O reconhecimento nacional conquistado por Jungmann como ministro resultou em sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Ele foi reeleito em 2006 e, embora tenha tentado uma vaga no Senado em 2010 sem sucesso, voltou a ser eleito vereador do Recife em 2012. Durante as eleições de 2014, ele ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.
Como deputado, Jungmann teve um papel ativo na vice-presidência da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção ligado à compra de ambulâncias. Também se destacou como um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas, que atuou durante o referendo de 2005 sobre a comercialização de armas.
Em 2015, Jungmann assumiu um novo mandato na Câmara dos Deputados, onde permaneceu até 2016. Na oposição ao governo Dilma Rousseff, ele foi um defensor do impeachment da presidente, um movimento que culminou na ascensão de Michel Temer à Presidência.
Investigações e Arquivamento de Inquérito
Apesar de sua extensa carreira, Jungmann enfrentou algumas controvérsias, incluindo uma investigação sobre supostas fraudes em licitações, peculato e corrupção em contratos de publicidade que totalizavam R$ 33 milhões durante seu tempo à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário. No entanto, o inquérito foi arquivado pela Justiça Federal.
Reconhecimento e Homenagens
O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), do qual Jungmann era diretor-presidente, confirmou sua morte, expressando profundo pesar pela perda. Em nota, o IBRAM comunicou que, em respeito ao desejo de Jungmann, seu velório será realizado em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Pernambucano de origem, Raul Jungmann dedicou mais de cinquenta anos de sua vida à esfera pública, sendo reconhecido por sua integridade, compromisso com a democracia e ênfase no desenvolvimento sustentável e diálogo.
Ao longo de sua carreira, occupou funções relevantes, incluindo a presidência do IBAMA, além de quatro ministérios – Desenvolvimento Agrário, Política Fundiária, Defesa e Segurança Pública. Em 2022, assumiu a presidência do IBRAM, onde conduziu uma agenda fundamental para transformar o setor mineral com foco em princípios ESG (Ambiental, Social e Governança).
Durante sua liderança no IBRAM, Jungmann fortaleceu a relevância da instituição, priorizando a legalidade e a inovação, assim como o papel estratégico dos minerais na transição energética global.
Raul Jungmann será lembrado por sua competência e visão estratégica, além de deixar um valioso legado de diálogo e ética na vida pública. Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, ressaltou que ele foi um homem público de estatura singular, um defensor incansável da democracia e profundamente comprometido com os interesses do Brasil e da população.

