sábado 17 de janeiro

Entenda a Decisão da Abiove

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou, nesta segunda-feira (5), sua retirada da Moratória da Soja, um acordo estabelecido em 2006 por empresas do setor com o apoio de órgãos governamentais e organizações da sociedade civil. Esse pacto visava impedir a comercialização de soja oriunda de áreas da Amazônia desmatadas após 2008, numa tentativa de frear o desmatamento e preservar o bioma.

A Abiove, que representa grandes empresas envolvidas no processamento e comercialização de soja, fundamentou sua decisão em mudanças recentes na legislação do Mato Grosso. A nova lei estadual proíbe o acesso a benefícios fiscais para empresas que assinam acordos comerciais que sobrecarregam as exigências legais, gerando um clima de incerteza e pressão sobre os setores produtivos.

Consequências da Nova Legislação

Essa mudança ocorre em um momento delicado para a Moratória da Soja, que já enfrentava resistência de setores ruralistas que se opõem a restrições ambientais mais rigorosas. O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, comemorou a saída da Abiove, destacando que agora as empresas deverão seguir apenas a legislação ambiental brasileira, sem compromissos adicionais. “Essa é uma vitória para o Estado de Mato Grosso”, afirmou Mendes, ressaltando que o desmatamento ilegal impacta negativamente o agronegócio e a imagem do Brasil no exterior.

Além disso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifestou apoio à nova lei, enfatizando a necessidade de um fluxo de monitoramento para garantir que as exigências ambientais sejam respeitadas. A entidade planeja denunciar quaisquer irregularidades relacionadas à Moratória da Soja, que ainda conta com a participação da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

A Reação de Ambientalistas

A decisão da Abiove foi prontamente criticada por organizações ambientalistas, como Greenpeace Brasil. O coordenador de campanhas da entidade, Rômulo Batista, argumenta que a saída do acordo representa uma escolha empresarial em detrimento do interesse ambiental, pois a Moratória da Soja trouxe significativos avanços na redução do desmatamento. Batista destacou que o cumprimento do pacto foi monitorado de perto, mostrando um aumento de 344% na produção de soja na Amazônia entre 2009 e 2022, enquanto o desmatamento teve uma redução de 69% no mesmo período.

“Sair significa assumir riscos ambientais e reputacionais, além de comprometer a imagem da soja brasileira no mercado internacional”, observou Batista, enfatizando a importância de manter compromissos com investidores e consumidores globais.

Impactos Futuros e Legado da Moratória

Um estudo preliminar do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) sugere que a retirada da Abiove da Moratória da Soja pode resultar em um aumento de até 30% no desmatamento na Amazônia até 2045, comprometendo as metas climáticas do Brasil e as estratégias de desmatamento. A Abiove, em resposta, destacou que a Moratória cumpriu um papel histórico e deixou um legado importante, consolidando o Brasil como um líder em produção sustentável.

A associação reiterou sua confiança na continuidade das políticas de preservação ambiental e no novo marco regulatório que está sendo implementado, que visa garantir que a soja brasileira atenda a altos padrões socioambientais. “Estamos comprometidos em manter os compromissos internacionais do Brasil e assegurar a segurança e credibilidade da soja brasileira nos mercados consumidores”, concluiu a entidade.

A situação atual levanta questões cruciais sobre o futuro do agronegócio no Brasil e a necessidade de equilibrar interesses econômicos e a preservação ambiental, um desafio que continua a ser debatido entre governo, setor produtivo e organizações da sociedade civil.

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