Avanços na Saúde Pública de Pernambuco
No ano de 2025, a saúde pública em Pernambuco passou por uma série de transformações significativas, com um foco especial na reestruturação da rede assistencial e na descentralização de serviços que antes estavam concentrados na capital. Sob a liderança da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), foram realizados investimentos em infraestrutura, ampliação de cirurgias e exames, atendimento especializado no interior e modernização tecnológica.
Programas como Cuida PE, Pernambuco Acessível e a expansão das carretas de saúde foram pilares centrais dessas ações, absorvendo parte significativa dos recursos destinados à saúde ao longo do ano. Segundo a secretária Estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, a intenção por trás dessas medidas foi clara: “melhorar a assistência em todo o Estado e aprimorar as condições de trabalho para os profissionais de saúde”.
Apesar dos avanços, os dados também revelam um cenário desafiador. A capacidade instalada e a produção assistencial aumentaram, mas as filas históricas e as desigualdades regionais ainda impõem pressão ao sistema, evidenciando as demandas acumuladas que persistem e que precisam ser enfrentadas.
Desafios no Acesso e Cirurgias Eletivas
O programa Cuida PE, ao encerrar 2025, contou com um investimento de aproximadamente R$ 157 milhões voltados para a ampliação das cirurgias eletivas. A abertura de 213 leitos exclusivos permitiu que o Estado superasse a marca de 250 mil cirurgias realizadas, com expectativas de que este número chegue a 376 mil até o final do ano. Zilda Cavalcanti destaca que, proporcionalmente à população, Pernambuco se destaca no Nordeste: “Estamos entre os estados que mais realizaram cirurgias eletivas”.
Na esfera de diagnósticos, houve um avanço notável com a ampliação do acesso a exames complexos, resultando na eliminação das filas para ressonância magnética e tomografia em nove das 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres), abrangendo 136 municípios livres de demanda reprimida para esses exames. Esses dados refletem uma capacidade de resposta aprimorada do sistema, mas ainda é necessário um esforço considerável para lidar com as filas acumuladas ao longo dos anos, especialmente em um estado que depende fortemente do SUS.
Saúde Itinerante e Aumento do Acesso ao Diagnóstico Precoce
No que tange à saúde preventiva, 2025 também se destacou pela interiorização do atendimento, especialmente voltado para a saúde da mulher. Com um investimento de R$ 75 milhões, quatro carretas da mulher percorreram todas as regiões do Estado, realizando mais de 59 mil atendimentos em 98 municípios. O objetivo desse modelo foi aproximar o cuidado do cotidiano das mulheres, permitindo diagnósticos precoces de câncer de mama e colo do útero.
Como resultado, aproximadamente 200 mulheres foram diagnosticadas com câncer ou lesões precursoras e encaminhadas para tratamento especializado nas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom). A secretária ressaltou que “a carreta vai onde a mulher está”, enfatizando a importância de facilitar o acesso ao cuidado.
Inclusão e Regionalização dos serviços para Pessoas com Deficiência
O programa Pernambuco Acessível, que recebeu mais de R$ 150 milhões, focou no atendimento às pessoas com deficiência, historicamente concentrado na capital. O objetivo foi regionalizar tanto a entrega de equipamentos como o acompanhamento assistencial. Entre os resultados estão a entrega mensal de cerca de 400 cadeiras de rodas e a eliminação da fila para implantes cocleares, com mais de 40 procedimentos realizados. Além disso, o programa incluiu a capacitação em Transtorno do Espectro Autista (TEA), criando um curso de pós-graduação gratuito para 200 profissionais anualmente.
Infraestrutura e Transformação Digital na Saúde
Em relação à infraestrutura hospitalar, 2025 foi um ano de reformas e manutenções significativas. No Hospital da Restauração, uma referência em alta complexidade, setores como endoscopia digestiva e corredores de emergência foram requalificados. Reformas estruturais começaram nos andares superiores com planos de instalação de 33 novos elevadores na rede estadual, visando resolver um dos principais gargalos operacionais.
Além das intervenções físicas, a Secretaria de Saúde também avançou na transformação digital com a implantação da Rede Estadual de Dados em Saúde (Redes), que introduziu prontuários eletrônicos e a interoperabilidade entre as unidades. Essa estratégia de integração busca alinhar o crescimento físico com uma modernização digital, embora a continuidade dos investimentos e a adesão das equipes sejam cruciais para a consolidação desse modelo.
