sexta-feira 15 de maio

XV Seminário Paulo Freire discute formação docente em Recife

Recife sediou, de 12 a 14 de maio, o XV Seminário Paulo Freire e o XIII Encontro de Cátedras e Grupos Paulo Freire, promovido pela Cátedra Paulo Freire da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O evento teve como foco principal a formação de professores e reuniu representantes de universidades, entidades educacionais e movimentos sociais para debater Políticas Públicas, contradições e resistências no campo da educação.

Debates sobre formação presencial

A mesa de abertura contou com a presença de Marília Cibelli, secretária de Relações Internacionais da CNTE, que enfatizou a importância da luta pela formação qualificada dos docentes. Cibelli destacou a necessidade de revogar a possibilidade de formação inicial de professores em modelo de Educação à Distância (EAD), defendendo que a formação presencial ajuda a assegurar que os educadores tenham as habilidades práticas e teóricas necessárias para oferecer uma educação pública de qualidade.

“Uma das lutas que a CNTE trava é a revogação da possibilidade da formação inicial de professores se dar em modelo EAD. Nós defendemos a formação presencial, porque entendemos a importância desse preparo para a educação pública que queremos: uma educação laica, gratuita, inclusive de qualidade socialmente referenciada, e ainda porque não dizer popular, como diz Paulo Freire”, afirmou Marília Cibelli durante sua fala.

Legislação e formação docente

Além disso, Marília mencionou uma nota pública divulgada pela CNTE durante o seminário, que aborda a reformulação da Resolução CNE/CP nº 4/2024, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior de Profissionais do Magistério da Educação Escolar Básica. Essa resolução é um ponto central nas discussões do Conselho Nacional de Educação, especialmente no que se refere ao formato de ensino EAD.

A secretária também defendeu o pluralismo de ideias nas instituições públicas, destacando a resistência da universidade pública frente à mercantilização do saber. “A universidade pública resiste como lugar de formação integral, onde o professor é preparado para entender as desigualdades estruturais da sociedade brasileira. Inspirado em um legado freiriano, reafirmamos que a formação de professores nas universidades públicas é o solo fértil, que é um espaço de formação que promove a resistência e a mudança social”, concluiu Cibelli.

Programação e participação

O evento contou com a participação de outros representantes importantes, como Cíntia Sales, vice-presidente do Sintepe, Séphora Freitas, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Jaboatão dos Guararapes (SINPROJA), e Ronildo do Nascimento, diretor executivo adjunto da CNTE. O seminário também teve uma programação rica, que incluiu mesas de diálogos, palestras e rodas de conversa, todas voltadas à valorização da educação e à construção de políticas públicas comprometidas com a transformação social.

Os três dias de evento foram estruturados em subtemas que abordaram a humanização e compromisso político, financiamento e valorização profissional, além dos desafios da docência e da ousadia pedagógica. Essa diversidade de temas reforça a importância do debate sobre a formação docente e a resistência ao modelo EAD, com o objetivo de influenciar positivamente a qualidade da educação pública no Brasil.

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