sexta-feira 6 de fevereiro

O Álbum que Transforma a Percussão em Protagonismo

Tradicionalmente colocado em segundo plano nos arranjos musicais, o instrumento de percussão ganha um novo destaque com o álbum “Ponto de Fuga”, do artista recifense Silva Barros, que já pode ser ouvido nas principais plataformas digitais. Neste disco, o primeiro com o grupo Silva Barros & Grupo, a bateria se torna o elemento central, moldando harmonias a partir de uma perspectiva profundamente enraizada na rica cultura percussiva de Pernambuco, assumindo um papel narrativo inovador.

Desde os primeiros passos na música, a percussão sempre teve um lugar de destaque na trajetória de Silva. Lembrando sua infância, ele relembra o xilofone de madeira como sua primeira paixão. As aulas de música instrumental que frequentava aos sábados na Escola Municipal Florestan Fernandes, localizada em Ibura de Baixo, foram fundamentais para seu aprendizado. “Era algo que me realizava”, compartilhou o baterista em uma entrevista ao Diário.

Após conquistar seu espaço tocando na banda do diretor da escola, Silva começou a se aventurar em outros grupos, mas o verdadeiro divisor de águas aconteceu quando ingressou no Conservatório Pernambucano de Música, em 2015. Sob a tutoria do professor Hugo Medeiros, que já fez parte do trio de jazz do pianista Amaro Freitas, ele começou a entender a bateria como uma ferramenta de condução e narrativa musical. Silva reflete: “Mudou completamente minha forma de pensar a bateria e a música”.

Explorando Novas Dimensões Musicais

Durante sua formação, Silva se aprofundou em técnicas como a polirritmia, que consiste na sobreposição de ritmos distintos. Essa experiência o levou a desenvolver um conceito musical próprio. “A relação entre o bumbo e a caixa, entre o grave e o agudo, é onde muitas das minhas composições têm início”, explicou o músico.

Em sua jornada, Silva foi influenciado por uma variedade de artistas que vão da vanguarda à música contemporânea, incluindo o pianista Shai Maestro, o baterista cubano Dafnis Prieto e o vibrafonista Joel Ross. Contudo, é o mestre pernambucano Moacir Santos que mais o inspira. Silva não hesita em elogiar: “A maneira como ele trabalhava os grooves, adaptando claves afro-pernambucanas ao frevo e maracatu, é genial”.

Uma Viagem Musical em Sete Faixas

Composto por sete faixas, “Ponto de Fuga” reflete uma autoralidade tanto na forma quanto no conteúdo. O álbum é estruturado em três movimentos, com canções que incluem a faixa-título “Ponto de Fuga”, “Araripe” e “Chegada”.

A faixa-título, que surgiu durante a pandemia, é marcada por uma oscilação entre tensão e alívio, inspirada nas reflexões de Silva durante suas viagens entre Recife e o município de Bodocó, situado no Sertão do Araripe. A faixa “Araripe” é um tributo ao sertão, enquanto “Chegada” traz uma metáfora sobre chuva, renascimento e a chegada da filha Açucena, com a participação especial de Sara Leandro.

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