Articulação para Fortalecer a Rede Elétrica em Pernambuco
O Sindicato das Indústrias de Energia do Estado de Pernambuco (Sindienergia-PE) está mobilizado para apresentar à Empresa de Planejamento Energético (EPE) uma nota técnica com propostas que visam ampliar a infraestrutura elétrica do estado. A iniciativa se baseia na consulta pública nº 235, que recolhe contribuições para o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, cuja minuta foi recentemente divulgada pela estatal. Segundo o levantamento, Pernambuco necessita de investimentos da ordem de R$ 3,38 bilhões para fortalecer sua rede elétrica, incluindo a implantação de 1.045 km de linhas de transmissão em 500 kV e 168 km em 230 kV, além da construção de subestações que ajustem a tensão da energia para a rede de distribuição.
Importância do PDE para Atração de Investimentos
O PDE é fundamental para o planejamento do setor elétrico, pois orienta o governo federal na realização de leilões que atraem investidores responsáveis pela construção e operação das linhas de transmissão e subestações. Rudinei Miranda, vice-presidente do Sindienergia-PE e futuro presidente da entidade a partir de janeiro, destaca que a ampliação da infraestrutura é urgente para que Pernambuco não perca grandes empreendimentos eletrointensivos. Miranda também preside a Associação Pernambucana de Energias Renováveis (Aperenováveis) e a Associação Nacional das Empresas Renováveis (ANER).
O Sindienergia-PE pretende entregar à EPE uma nota técnica detalhando as linhas de transmissão e subestações necessárias para a melhoria da rede elétrica local. Além disso, a entidade incentiva empresários interessados em novas conexões elétricas a contribuírem com o PDE. O governo de Pernambuco também está articulando com o Ministério de Minas e Energia (MME) para apresentar demandas semelhantes, reforçando a relevância dessa pauta.
Reunião Estratégica na Adepe e Diagnóstico Setorial
No dia 22, representantes do setor elétrico, governo estadual, empresários e executivos de cerca de 40 empresas reuniram-se na Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (Adepe) para discutir o tema. Durante o encontro, foi apresentado um diagnóstico realizado por consultoria especializada que aponta a necessidade de R$ 3,38 bilhões em investimentos. Uma das soluções propostas é a implantação de uma linha de transmissão longitudinal que cortaria o estado conectando cidades como Catende, Arcoverde, Floresta, Orocó e Petrolina.
Essa linha ampliaria a capacidade de conexão para empreendimentos, especialmente em áreas do interior com déficit de rede. A melhoria na infraestrutura é vista como essencial para atrair Negócios como data centers e plantas de hidrogênio verde, ambos segmentos com consumo energético elevado. Um projeto de data center na Mata Norte poderia se beneficiar diretamente desse avanço. No entanto, a minuta do PDE não prevê investimentos em transmissão e subestações para Pernambuco, o que preocupa o setor.
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Prazos e Importância das Contribuições ao PDE 2036
Empresas interessadas em conectar-se à rede básica de energia devem encaminhar suas contribuições ao Sindienergia-PE até o dia 28. Paralelamente, é fundamental que essas informações também sejam submetidas diretamente à consulta pública nº 235 da EPE. Esses dados ajudarão a demonstrar a existência de projetos locais que já demandam expansão da rede elétrica.
O Sindienergia-PE pretende concluir a nota técnica até o dia 30, consolidando as melhorias necessárias para Pernambuco. Em seguida, será elaborada uma lista definitiva das demandas do setor produtivo por novas linhas de transmissão e subestações. Rudinei ressalta que cerca de 90% das necessidades já foram mapeadas pelo estudo apresentado na reunião, que aponta o investimento de R$ 3,38 bilhões.
A EPE receberá contribuições para o PDE até 6 de novembro. Esse planejamento orienta os investimentos para a próxima década. “Quem tem infraestrutura elétrica domina a economia e atrai empreendimentos”, afirma Rudinei, lembrando que estados vizinhos apresentam condições mais favoráveis, enquanto Pernambuco enfrenta limitações na rede.
Mobilização Política e Próximos Passos
A ampliação da infraestrutura elétrica no estado envolve também aspectos políticos. Por isso, o Sindienergia-PE planeja mobilizar parlamentares pernambucanos para fortalecer a pauta. O executivo destaca que a reunião realizada foi um passo importante para organizar estratégias e integrar esforços. “É fundamental discutir Pernambuco junto às principais referências do setor energético local”, acrescenta.
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Após a análise das contribuições, a EPE divulgará o PDE definitivo para 2036, que definirá as ações prioritárias para o desenvolvimento da rede elétrica no estado.
Desafios com Cortes de Geração e Expansão da Microgeração
A minuta do PDE também aponta que os cortes de geração de energia, situação em que o Operador Nacional do Sistema (ONS) determina que as usinas produzam menos do que o planejado, devem continuar nos próximos 10 anos no mesmo nível previsto para 2026. Esses cortes ocorrem por limitações na rede ou excesso de geração, especialmente durante períodos de baixa demanda, como as manhãs.
No ano passado, cerca de 20% da energia renovável no país deixou de ser gerada por conta desses cortes, segundo estimativa da Volt Robotics. Rudinei classifica esse índice como elevado, afetando significativamente a receita das empresas, que em alguns casos chegaram a perder até 40%. O impacto é maior nas usinas eólicas e solares centralizadas, que são as maiores do setor.
O PDE prevê ainda um aumento de 40 Gigawatts (GW) em Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) até 2036 em todo o país. Esse crescimento pode intensificar os cortes de geração, já que a MMGD, composta por pequenos sistemas instalados em residências e empresas, não sofre cortes atualmente, mas contribui para o excesso de oferta na rede.

