quinta-feira 29 de janeiro

Preocupação com a Integridade da Polícia Civil

Após novas denúncias sobre a suposta espionagem do secretário Gustavo Queiroz Monteiro, que atua como chefe de articulação política e social da prefeitura do Recife, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, manifestou sua preocupação com o uso da Polícia Civil como ferramenta política. “Não podemos permitir que uma instituição com mais de 200 anos seja utilizada como instrumento de perseguição a adversários”, afirmou Cisneiros em um pronunciamento antes de uma manifestação realizada na última terça-feira, dia 27, na área central do Recife.

De acordo com a declaração de Áureo, o policial designado para monitorar o secretário se apresentou ao sindicato, temendo represálias após a divulgação da situação. “Ele explicou que cumpriu uma ordem, pois temia ser perseguido caso se recusasse. Portanto, a ilegalidade não está apenas na ação do policial, mas também na ordem que foi dada. Precisamos saber quem foi o responsável por essa diretiva”, questionou o presidente do Sinpol.

Consequências para Policiais

Cisneiros ainda destacou que os policiais enfrentam sanções severas se se recusarem a obedecer a esse tipo de ordem. “Se um policial não a cumprir, ele pode ser punido e até transferido para áreas distantes, como Exu, enquanto reside em Recife, forçando deslocamentos que configuram perseguição”, relatou o dirigente sindical.

Investigação e Resposta do Ministério Público

Na manhã de ontem, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgou uma nota informando que já requisitou esclarecimentos sobre o caso ao governo estadual. O MPPE declarou que, após tomar conhecimento da situação através da mídia, solicitou informações à Secretaria de Defesa Social. O texto oficial enfatiza a seriedade com que vê a denúncia e a necessidade de apuração.

Detalhes da Denúncia

Em decorrência das alegações, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) anunciou a abertura de uma investigação, após receber de maneira anônima um documento que continha imagens do secretário e de um veículo associado a ele. Essa informação foi confirmada por Alessandro Carvalho, titular da SDS-PE, que em coletiva de imprensa, na segunda-feira (26), mencionou que uma apuração preliminar sobre o caso já foi encerrada. O secretário negou veementemente as acusações de espionagem, afirmando que a narrativa apresentada pela oposição era “falsa”.

Esquema de Cobrança de Propina

A denúncia em questão descreve Gustavo Monteiro como o “braço direito do prefeito”, um amigo de faculdade que supostamente estaria à frente da arrecadação e distribuição de recursos financeiros da prefeitura. O documento sugere que ele teria coordenado um esquema de cobrança de propina, delegando tarefas para seus irmãos. Eduardo Monteiro, um dos irmãos citados, é retratado como ligado ao gabinete do prefeito e apontado como “conhecido e temido por fornecedores”. A acusação sustenta que ele estaria envolvido na cobrança de propinas em várias secretarias e intercederia em processos licitatórios a favor de certas empresas.

A denúncia se aprofunda ao relatar que Eduardo Monteiro receberia pagamentos em dinheiro em estacionamentos de shoppings, valores estes que variariam entre 4% e 5% do faturamento mensal dos fornecedores da administração municipal. A gravidade das alegações e a resposta dos órgãos responsáveis indicam um cenário de tensão e vigilância na política local, enquanto os envolvidos tentam esclarecer os fatos e restaurar a confiança nas instituições.

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