Uma Nova Era na Suinocultura Chinesa
A suinocultura na China passou por uma transformação radical nos últimos sete anos. O que antes era um setor dividido em pequenas propriedades familiares agora se consolidou em um robusto complexo industrial de alta tecnologia. Essa metamorfose foi impulsionada pela necessidade de garantir a segurança alimentar após o devastador surto da Peste Suína Africana (PSA) em 2018. Naquela época, o vírus dizimou o rebanho nacional, que caiu de 428 milhões para 310 milhões de cabeças, representando uma redução de 27,5%. Ao mesmo tempo, os preços da carne suína dispararam, deixando um rastro de incertezas no mercado.
Em resposta a essa crise, o governo de Pequim promoveu a construção de enormes “fábricas de suínos”. Essas instalações verticais e automatizadas, algumas com capacidade para alojar até 500.000 animais, substituíram as antigas granjas que produziam menos de 500 porcos anualmente. Nesse novo modelo de produção, todos os aspectos, desde a ventilação até a alimentação e o monitoramento sanitário, são controlados por algoritmos, garantindo eficiência e controle.
Pequenos produtores, como Zhang Yanbo e Yang Manman, agora se tornaram empregados de conglomerados como a Muyuan. Essa mudança trouxe uma nova narrativa de “reinvenção”, onde a incerteza de criar suínos de forma independente foi trocada pela estabilidade de um salário corporativo. Entretanto, essa transformação também esconde a eliminação em massa da agricultura familiar tradicional, que enfrentou grandes desafios em um ambiente cada vez mais industrializado.
Desafios da Superprodução no Setor
Contudo, a eficiência extrema desse novo modelo gerou um efeito colateral inesperado: a superprodução. Se em 2019 o principal temor era a escassez e a dependência de importações, em 2025, a situação se inverteu. O “milagre” da industrialização agora resulta em um mercado saturado, o que derrubou os preços e pressionou as margens de lucro das próprias gigantes que lideraram essa transformação. Um especialista, que preferiu não se identificar, destacou que essa dinâmica pode ser prejudicial não apenas para a economia, mas também para a sustentabilidade do setor.
As megaestruturas, projetadas para proteger o país contra surtos de doenças, agora enfrentam o desafio de equilibrar a oferta em um mercado saturado, onde a capacidade produtiva supera a demanda. Assim, a questão que se impõe é: como gerenciar a produção em um cenário onde a eficiência pode se tornar um obstáculo à rentabilidade? A resposta para essa pergunta pode determinar o futuro da suinocultura na China e sua posição no mercado global.
