sábado 17 de janeiro

Superlua de Janeiro: O Fenômeno Astronômico

Embora o termo mais comum seja Superlua, o fenômeno que ocorrerá no céu neste sábado (3) é chamado, na verdade, de “Lua Cheia de Perigeu”. Esta nomenclatura é utilizada por astrônomos, pois a Lua estará em um ponto mais próximo da Terra. O termo ‘perigeu’ se origina do grego, onde ‘peri’ significa próximo e ‘geo’ refere-se à Terra. Assim, a Lua Cheia de Perigeu aparenta ser cerca de 6% maior e 13% mais brilhante em comparação com uma Lua Cheia comum.

Na verdade, o tamanho da Lua não muda, mas a sua aproximação à Terra causa essa impressão. Rodolfo Langhi, astrônomo e coordenador do Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explicou à Agência Brasil que a Lua Cheia deste sábado ocorrerá às 07h03 (horário de Brasília). O diâmetro da Lua Cheia de janeiro será de aproximadamente 32,92 minutos de arco, um tamanho relativamente grande em comparação aos 29,42 minutos de arco da Microlua prevista para 31 de maio.

A Superlua de janeiro de 2026 estará a cerca de 362.312 km da Terra, enquanto a menor Lua Cheia do ano, a Microlua de 31 de maio, estará mais distante, a 406.135 km. “Todo mês, a Lua passa por seu Perigeu, o ponto mais próximo da Terra em sua órbita, assim como pelo Apogeu, o ponto mais distante. Quando a Lua Cheia coincide com o Perigeu, chamamos de Lua Cheia de Perigeu ou Superlua, porque ela parece um pouco maior”, explicou Langhi. Contudo, ele advertiu que, a olho nu, a diferença é difícil de perceber.

Percepção Visual da Superlua

Langhi utilizou uma analogia interessante: “Imagine que você está segurando uma bola em suas mãos. Quando você a aproxima e a afasta dos olhos, a aparência da bola muda de tamanho. Se alguém segurar essa bola a dez metros de distância, parecerá muito menor. O mesmo ocorre com a Lua; quando está mais perto da Terra, ela parece um pouco maior, mas essa diferença é sutil.”

“É um desafio perceber essa diferença a olho nu”, continuou Langhi. “A maioria das pessoas que não observa a Lua com frequência pode não notar nada incomum. Somente os que observam a Lua regularmente e prestam atenção podem perceber. Mas, mesmo para esses observadores, a diferença não é tão evidente.”

Por isso, o astrônomo acredita que chamá-la de Superlua é um exagero. Muitas pessoas imaginam que a Lua aparecerá gigantesca, mas isso não é verdade.

A Opinião de Especialistas

João Batista Canalle, físico doutor em Astronomia e professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), aponta que essa Lua Cheia não apresenta nenhuma particularidade extraordinária. “É apenas uma Lua Cheia comum. Ter duas Luas Cheias no mesmo mês é um evento raro, mas fisicamente, não significa nada relevante”, afirmou Canalle. Ele reforçou que a Lua Cheia, muitas vezes referida erroneamente como Superlua, não muda de tamanho; ela apenas se aproxima da Terra.

Canalle ainda comparou esse fenômeno com a posição da Terra em relação ao Sol: “Quando a Terra está mais próxima do Sol, você percebe o Sol maior? Não. A mesma lógica se aplica à Lua. Mesmo quando está em Perigeu, a diferença é imperceptível a olho nu. A mesma coisa acontece com a Microlua – o nome é enganoso. A Lua continuará sendo uma Lua Cheia, independentemente de sua distância da Terra.”

Em síntese, Canalle enfatiza que a diferença de tamanho da Lua em suas diferentes fases e distâncias não é significativa para os observadores comuns. “Astronomicamente, essa variação não tem relevância”, concluiu o especialista.

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