quinta-feira 23 de abril

Levantamento da CNI revela impactos positivos

A cobrança do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecido como ‘taxa das blusinhas’, gerou um efeito positivo na economia brasileira, conforme um estudo divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar de ser uma medida impopular, a pesquisa indica que essa tributação ajudou a conter a avalanche de importações, preservando aproximadamente 135 mil empregos e movimentando de maneira significativa a economia.

Segundo a CNI, a taxa não apenas reforçou o caixa da União, mas também fez com que bilhões de reais em produtos estrangeiros deixassem de ser adquiridos. A análise considerou o valor médio das remessas em 2025, comparando as importações projetadas para 2024 ao que foi efetivamente registrado.

Dados reveladores do levantamento

Os números apresentados pela CNI são impressionantes:

  • R$ 4,5 bilhões em importações evitadas;
  • 135,8 mil empregos preservados;
  • R$ 19,7 bilhões que circularam na economia nacional;
  • Redução de 10,9% no volume de encomendas internacionais entre 2024 e 2025;
  • Caiu em 23,4% o número de remessas no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024, antes da implementação da taxa;
  • Arrecadação de R$ 1,4 bilhão em 2024 e R$ 3,5 bilhões em 2025 com a nova tributação.

Segundo informações da CNI, a criação da taxa foi uma estratégia para equilibrar a concorrência desleal que existia entre produtos importados, especialmente os da China, e a produção nacional, dando um importante alívio à indústria brasileira.

“O principal objetivo da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas sim proteger a economia nacional. Fazer com que a indústria brasileira seja competitiva é fundamental para a manutenção de empregos e a geração de renda”, afirmou Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, em comunicado.

Guerra também ressaltou que as importações são benéficas e contribuem para a competitividade, mas devem ocorrer em condições justas.

Como a taxa é aplicada

A ‘taxa das blusinhas’ estabelece um Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que entrou em vigor em agosto de 2024 como parte do programa Remessa Conforme, regulamenta o comércio eletrônico internacional e tem como objetivo simplificar a fiscalização e minimizar fraudes.

O imposto é aplicado no momento da compra, o que facilita a supervisão e diminui a ocorrência de irregularidades.

Impacto nas importações

Com a implementação dessa nova regra, o volume de encomendas sofreu uma queda significativa:

Em 2024, foram registradas 179,1 milhões de remessas para o Brasil, um número que caiu para 159,6 milhões em 2025. Sem a taxação, a CNI projetava que o volume de encomendas superaria 205 milhões, evidenciando o impacto direto da medida nas compras internacionais.

Anteriormente, produtos importados de pequeno valor muitas vezes ingressavam no país sem a devida tributação, enquanto itens fabricados no Brasil eram taxados normalmente, resultando em uma concorrência injusta. Agora, a taxa busca equilibrar essa balança.

Combate a fraudes e irregularidades

O estudo da CNI também destaca que a ‘taxa das blusinhas’ contribuiu para inibir práticas ilegais, como o subfaturamento, a divisão de pedidos e o uso abusivo de isenções fiscais, que eram comuns antes da implementação da nova regra. Com o sistema atual, as plataformas internacionais são obrigadas a informar e recolher os impostos no ato da venda, aumentando o controle e reduzindo as irregulares.

Resultados econômicos e proteção à indústria

Além de ter reduzido o volume de importações, a medida elevou a arrecadação federal de produtos de baixo valor, que cresceu de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025. Para a indústria brasileira, conforme a CNI, o efeito primordial dessa ação é a proteção da produção local, assegurando a manutenção de empregos e a geração de renda no país.

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