Avaliação Precisa da Saúde das Árvores com Tecnologia
No Recife, a penetrografia tem se destacado como uma ferramenta essencial para avaliar a saúde interna das árvores. Essa técnica inovadora promove uma análise detalhada da madeira, identificando cavidades e processos de degradação que não são percebidos a olho nu. Utilizada pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), a penetrografia orienta decisões sobre poda, conservação ou remoção de árvores na área urbana, garantindo uma gestão mais segura e eficiente do patrimônio verde da cidade.
Como é Realizado o Diagnóstico das Árvores
O processo de avaliação envolve diversas etapas para garantir a integridade estrutural das árvores. A inspeção visual inicial busca identificar sinais externos como inclinações, galhos secos, fissuras, raízes expostas e danos no tronco. Em seguida, é feita uma análise detalhada considerando o histórico da árvore, sua espécie e a interação com a infraestrutura urbana, como calçadas e redes elétricas. Por fim, o teste instrumental com a penetrografia realiza uma microperfuração para medir a resistência interna da madeira. Essa etapa é fundamental para detectar perdas de densidade ou sinais de biodeterioração.
João Victor França, engenheiro florestal e gerente de Arborização da Emlurb, explica que “a tecnologia permite identificar problemas invisíveis a olho nu, o que possibilita escolher o manejo mais adequado, sempre priorizando a preservação das árvores quando possível”.
Gestão Urbana e Impacto nas Árvores do Recife
Entre 2021 e setembro de 2026, o Recife realizou cerca de 269,8 mil podas técnicas, procedimentos essenciais para eliminar galhos danificados, ajustar o tamanho das copas e minimizar riscos para a circulação urbana. A população pode solicitar vistorias em áreas públicas por meio da Central 156 ou do aplicativo Conecta Recife, facilitando a participação cidadã na conservação do patrimônio verde.
Em 2025, a Emlurb registrou o plantio de 1.963 mudas e a supressão de 1.562 árvores, resultando em um saldo positivo de 25% entre espécimes novos e removidos. Essa gestão cuidadosa busca equilibrar a manutenção das árvores com a segurança e a qualidade do ambiente urbano.
Proteção e Memória Ambiental no Recife
A preservação também passa pela atuação da Comissão de Árvores Tombáveis, responsável por proteger espécimes de importância histórica ou ambiental contra o corte. Criada pela Lei Municipal nº 14.571/1983, essa comissão reconhece o valor de árvores que ultrapassam sua função ambiental, tornando-se símbolos da cidade. O cajueiro, por exemplo, é a árvore oficial do Recife, representando a conexão entre natureza e cultura local.
Segundo França, “o tombamento valoriza essas árvores, garantindo que continuem integrando a paisagem e a memória afetiva do Recife por muitos anos”.

