A Transição da Moda em Calçados
A moda de calçados em 2026 está menos focada na novidade e mais na intenção. O cenário é claro: as peças são pensadas para atravessar estações, adequando-se tanto ao ambiente de trabalho quanto a um jantar elegante, equilibrando estética e conforto de forma harmoniosa. O que se vê não é um minimalismo frio, mas sim um pragmatismo sofisticado.
As projeções do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) mostram que o varejo brasileiro de vestuário e calçados faturou impressionantes R$ 396 bilhões em 2025, representando um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. A Abicalçados, por sua vez, estima que a produção para este ano será entre 914,6 milhões e 962,3 milhões de pares, um leve aumento de pouco mais de 2%. Embora o mercado esteja em crescimento, os consumidores se tornaram mais exigentes e seletivos nas suas escolhas.
O Retorno da Elegância Confortável
Após quase duas décadas em que os tênis ditaram as regras, analistas do Bank of America indicam que essa onda de popularidade está se estabilizando. Entretanto, isso não significa um abandono do conforto, mas sim uma reconfiguração do que ele representa. A estética bailarina, que já ganhou força em 2024 em coleções de marcas renomadas como Miu Miu, Simone Rocha e Jacquemus, continua em alta. Essa tendência se reflete em sapatilhas e até em tênis com perfil delicado, adornados com laços, veludo, cetim e charms que exaltam um feminismo mais polido e sofisticado.
Boho com Toque Sofisticado
Outra tendência marcante é o boho, que agora aparece em uma versão mais elegante. Esse estilo, que anteriormente era reconhecido por seu excesso, agora se apresenta de forma mais refinada. “Uma tendência forte de 2026 é o boho, que valoriza a moda artesanal, priorizando peças detalhadas e únicas. No entanto, o estilo se fortalece neste ano com um toque mais elegante, caracterizado por contrastes modernos e escolhas ousadas de materiais e cores”, explica a estilista de calçados da Capodarte.
Os detalhes são o foco principal. O design, que permanece minimalista com bicos quadrados e linhas limpas, ganha destaque nos acabamentos. Cores terrosas sofisticadas, especialmente em variações de marrom, se destacam. Couros exóticos, metais exclusivos e ornamentos evoluem de simples adereços para elementos de identidade. “Os ornamentos estão mais fortes do que nunca, reforçando a expressão individual e a busca por personalização”, complementa a estilista.
Outono-Inverno no Varejo Brasileiro
No varejo, a interpretação dessas tendências se reflete na versatilidade. A coleção de outono-inverno da Studio Z traz releituras que já estavam se consolidando: slingbacks repaginados com salto anabela, botas slouch de cano maleável e aparência levemente amassada, além do marrom como a base neutra da estação. Materiais como verniz com efeito molhado, camurça e superfícies texturizadas ampliam a dimensão sensorial das peças. O animal print continua relevante, mas agora reinterpretado com um design atualizado, funcionando como um elemento estratégico e não como uma caricatura.
“As coleções representam um momento em que as mulheres buscam peças que integrem-se à sua rotina real. O desafio é equilibrar informação de moda com conforto e usabilidade”, afirma Adriani Miranda, designer da Studio Z. As bolsas seguem a mesma tendência, priorizando formatos funcionais e cores neutras que facilitam as combinações.
Moda Infantil: Identidade Desde Cedo
No segmento infantil, o foco também está na identidade aliada ao conforto. Segundo Luciano Figueiredo, Head de Produtos da Pampili, as decisões de compra priorizam o bem-estar e a expressão da personalidade. Laços, texturas, brilhos e elementos lúdicos transformam os calçados em extensões da identidade da criança, sem comprometer a funcionalidade.
Assim, 2026 se mostra menos sobre “qual é a tendência” e mais sobre como essa tendência se integra à vida cotidiana. Do casual ao sofisticado, o que realmente define a temporada é a capacidade de adaptação, o que talvez revele mais sobre comportamentos do que propriamente sobre moda.
