sábado 31 de janeiro

Um Novo Capítulo na Moda

Com transparências que flutuam sobre o corpo e texturas que remetem à natureza, a moda está passando por uma verdadeira revolução. As tendências emergentes do Inspiramais, um dos eventos mais importantes do setor, traçam um panorama onde leveza, tecnologia e identidade se entrelaçam, resultando em criações cada vez mais sensoriais, autorais e alinhadas com o presente. Três direções principais começam a ganhar destaque, projetando o futuro das próximas coleções.

A primeira dessas tendências é a leveza, que se apresenta como uma nova linguagem estética. O design adota uma abordagem etérea, priorizando transparências, volumes delicados e materiais como tules e nylons. O foco está na experiência tátil, no movimento e na sensação de leveza, onde a tecnologia, em especial a inteligência artificial, atua como uma aliada criativa, possibilitando o desenvolvimento de superfícies e estruturas que tornam a moda mais sensorial e emocional.

A Natureza como Tecnologia

Na sequência, a relação com a natureza se transforma. Ao invés de ser apenas uma referência estética, ela se torna uma tecnologia viva. Texturas que evocam formas orgânicas e camadas que remetem a estruturas celulares estão na vanguarda da inovação, com materiais desenvolvidos a partir de biopolímeros e nanocelulose. Isso sinaliza o avanço dos biomateriais como uma das frentes mais relevantes para o futuro da moda, onde ciência e criatividade se entrelaçam de forma inovadora.

No terceiro movimento, a ruptura se destaca. Em um mercado que se torna cada vez mais homogêneo, as criações passam a explorar formas tridimensionais, dobras drásticas e sobreposições que colocam o corpo no centro do design. A individualidade e a autoria ganham espaço, promovendo silhuetas não convencionais que celebram a diferença e a expressão pessoal.

O Estudo ‘The Turning Point’

Essas tendências foram apresentadas na pesquisa ‘The Turning Point’, realizada durante a 33ª edição do Inspiramais, em janeiro, no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Este estudo, desenvolvido pelo Núcleo de Design e Pesquisa da Assintecal, orienta os lançamentos de materiais do evento, utilizando uma metodologia própria que combina inovação radical com produtos já validados pelo mercado.

Assinado por Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Design e Pesquisa, o estudo serve como uma base conceitual para os lançamentos apresentados no salão. Ele destaca a Pirâmide de Inovação, uma estrutura que organiza e antecipa tendências no setor de materiais. Rodrigues compara a situação atual com a década de 1980, ressaltando um clima de fechamento e polarização no mundo.

A pirâmide é composta por três níveis. O topo, representando 10%, é reservado para inovações radicais, enquanto o nível intermediário abrange 30% de materiais em desenvolvimento. A base, com 60%, é composta por produtos já aprovados pelo mercado, prontos para uma aplicação industrial mais ampla. “As coisas que antes fluíam agora parecem evaporar no ar”, concluiu Rodrigues, ao comentar sobre a volatilidade do cenário atual.

Valorização da Identidade Amazônica

O Inspiramais também se destacou ao promover discussões sobre a cadeia produtiva da moda em tempos de rápidas transformações. Em dois dias de programação, foram realizadas 12 palestras sobre design, sustentabilidade e os impactos da inteligência artificial no setor, reafirmando a importância do evento como um espaço de reflexão, além de uma plataforma de negócios.

Um projeto que se sobressaiu foi a ‘Iconografia Local Bioma Amazônico’, que visa valorizar a identidade cultural da região. Essa iniciativa resultou no desenvolvimento de mais de 80 novos materiais criativos, concebidos por cooperativas, associações de artesãs e comunidades indígenas e quilombolas, além de designers locais. A ideia é transformar as referências culturais em matéria-prima para a indústria da moda, unindo identidade local e bioeconomia de maneira inovadora.

Reflexões sobre o Conceito de Luxo

A pesquisa ‘Essência’, que antecipa os lançamentos programados para julho em São Paulo, provoca o mercado ao questionar o conceito de luxo, que se tornou esvaziado em um cenário competitivo focado em preços. A proposta é resgatar o luxo como símbolo de raridade, herança histórica e autoridade cultural, organizando-se em dois eixos complementares. O primeiro, chamado ‘Purismo’, valoriza a calma, a pausa e a ancestralidade, traduzidas em materiais de estética delicada, como couros lisos e acetinados, além de referências à alta-costura e ao classicismo.

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