sexta-feira 20 de fevereiro

Uma Perda Irreparável para a Cultura

O poeta visual Tiago West faleceu na quarta-feira, 18, aos 40 anos, em um episódio que chocou a cena cultural de Recife. Nascido em Salvador, na Bahia, e radicado na capital pernambucana, Tiago se destacou por seu trabalho inovador que unia poesia, imagem e tipografia, abordando temas como cotidiano, política e emoções.

De acordo com informações do Diário de Pernambuco, o artista apresentou um mal-estar cerca das 23h30. Ele se dirigiu sozinho a um hospital particular, mas desmaiou antes de chegar ao local. O motorista do aplicativo que o transportou relatou à família que Tiago estava em plena lucidez ao entrar no veículo. Apesar dos esforços da equipe médica, que tentou reanimá-lo por aproximadamente 45 minutos, não foi possível salvá-lo. A morte foi registrada como parada cardiorrespiratória, e o laudo definitivo será emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) após a autópsia.

O sepultamento ocorreu na quinta-feira, 19, no Cemitério Memorial Guararapes, localizado em Jaboatão, na Região Metropolitana do Recife. Tiago deixa sua mãe e três irmãos, além de um legado artístico inestimável.

Trajetória Inspiradora de Tiago West

Com apenas quatro anos, Tiago e sua família mudaram-se de Salvador para Recife, onde ele se tornaria uma das vozes mais emblemáticas da arte contemporânea pernambucana. Desde cedo, explorou a escrita e diferentes formas de expressão. Embora tenha iniciado uma graduação em Literatura, decidiu se formar em Música, o que também refletiu em sua produção artística.

O artista ganhou notoriedade ao comercializar suas obras pela internet, que eram compostas por poesias inscritas e emolduradas. Entre seus trabalhos mais célebres, destaca-se o quadro “Recife”, onde ele expressou: “Recife é o inferno que tá por cima. Mexeu com Recife, mexeu com a América Latina. Do alto, bem do alto, se vê dois riscos. A Caxangá e a Muralha da China”.

Reações à Sua Partida

A Secretaria de Cultura do governo de Pernambuco emitiu uma nota lamentando o falecimento de Tiago West, reconhecendo-o como um poeta, músico e artista visual que deixou uma marca indelével em sua geração. A nota ressalta: “Cronista visual da vida urbana, sua contribuição para a cultura pernambucana deixa um legado de força, inspiração e amor pelo estado”.

Além disso, a Secretaria de Cultura de Recife também se manifestou em suas redes sociais, refletindo sobre o impacto da perda: “Depois de celebrar a alegria de um Carnaval tão bonito, o Recife acordou hoje sob o silêncio ensurdecedor de todas as palavras que o poeta Tiago West ainda não havia escrito”. O órgão destaca que a cidade e o mundo, durante a breve, mas brilhante passagem de Tiago pela vida, foram agraciados com um legado imortal, onde palavras e imagens se entrelaçam, provocando risos e reflexões com uma verve afiadíssima.

Ao homenageá-lo, a Secretaria de Cultura incluiu um trecho de um poema de Tiago, que reflete sua visão e sensibilidade: “de tudo que quis não tive metade da metade da metade ainda assim, vivi mais que minha idade futuro, não me esqueça não me mate de saudade”. As palavras ressoam como um eco do talento e da criatividade que o artista deixou como legado.

Em tempos difíceis, a memória de Tiago West permanecerá viva, lembrando todos da importância do amor e da justiça, temas que permeavam sua obra e que continuarão a falar através de sua arte. O Recife, mesmo em seu silêncio, seguirá reverberando a mensagem de esperança e transformação que o poeta sempre defendeu.

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