Desafios do Turismo Sustentável
A recente onda de desordem e superlotação nas praias brasileiras trouxe à tona preocupações com os riscos do turismo de massa. Após incidentes em Porto de Galinhas, a prefeitura de Ipojuca, na Paraíba, tomou a iniciativa de proibir a exigência de consumação mínima nas areias, buscando garantir maior conforto aos visitantes. Outras cidades também estão implementando medidas semelhantes: Niterói, no Rio de Janeiro, estabeleceu um teto de R$ 22,85 para aluguel de barracas, enquanto locais como Florianópolis, Arraial do Cabo e Ubatuba aumentaram a fiscalização.
Além das normas comerciais, há um foco crescente no controle de visitantes em áreas protegidas ambientalmente. Destinos como Jericoacoara, Ilha Grande e Morro de São Paulo, no Brasil, enfrentam desafios legais em relação à cobrança de taxas de visitação. Nos Lençóis Maranhenses, que foram reconhecidos como Patrimônio Natural Mundial pela Unesco, gestores estão considerando a implementação de limites diários de visitantes para preservar a natureza.
A Importância de Regras para o Turismo
Em várias partes do mundo, a gestão do fluxo turístico já se tornou uma prática necessária. Locais icônicos, como o Monte Fuji, no Japão, e Machu Picchu, no Peru, já implementaram restrições de horário e limites diários de visitantes. Veneza, na Itália, e Mallorca, na Espanha, também adotaram taxas para controlar a afluência de turistas, buscando minimizar os impactos sobre seus ecossistemas e infraestruturas.
O Brasil se destacou no turismo internacional, recebendo 9.287.196 visitantes em 2022, um aumento significativo de 37% em relação ao ano anterior. Os turistas argentinos foram os que mais visitaram o país, seguidos por chilenos, norte-americanos, paraguaios e uruguaios. Além disso, os brasileiros têm explorado cada vez mais o turismo interno, o que ressalta a necessidade de um planejamento adequado para lidar com esse aumento.
Planejamento e Sustentabilidade
A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, enfatizou a importância de uma “política integrada” que envolva setores público e privado, além de consultas à sociedade civil, para promover um turismo sustentável e responsável. A implementação de taxas de visitação e descontos para moradores são assuntos que devem ser debatidos com cautela, principalmente em destinos vulneráveis que enfrentam uma avalanche de visitantes.
O recente tumulto em Porto de Galinhas, que resultou em 14 pessoas indiciadas pela Polícia Civil, é um exemplo das consequências do turismo desordenado. Com 1,2 milhão de turistas em 2025, sendo que em 2019 eram apenas 937 mil, Ipojuca viu seu PIB crescer, mas enfrenta sérios problemas de infraestrutura, como saneamento básico e urbanização descontrolada.
Crescimento Desordenado e suas Consequências
Desde 2005, o crescimento do turismo na região é notável. O urbanista Zeca Brandão, que trabalhou em um projeto de qualificação urbana em Ipojuca, ressalta que a cidade passou de menos de 50 mil habitantes para mais de 106 mil, segundo o IBGE. O aumento repentino da população e do turismo trouxe consigo problemas de planejamento urbano, com reflexos negativos sobre a qualidade de vida local.
Matteo Soussin, dono de uma pousada sustentável em Santo Amaro, Lençóis Maranhenses, observa um crescimento acelerado na cidade desde 2013. O número de visitantes aumentou de 61 mil em 2021 para 297 mil no ano passado. Dada essa trajetória, a comunidade local, junto ao ICMBio, está considerando a limitação da quantidade de entradas diárias no Parque Nacional para garantir a preservação do ambiente.
Políticas Públicas Necessárias
Mariana Aldrigui, pesquisadora da USP, destaca que as políticas para o setor de turismo no Brasil ainda carecem de uma abordagem mais planejada. Segundo ela, o país tende a ser reativo, adotando soluções apenas após crises. A massificação do turismo é um problema que se agrava quando não há planejamento, resultando em especulação imobiliária e degradação ambiental.
Os Parques Nacionais brasileiros bateram recorde de visitas em 2024, com 12,4 milhões de entradas. O ICMBio reconhece que o turismo de massa é uma realidade, e está empenhado em melhorar a infraestrutura, garantindo que a biodiversidade não seja comprometida. O Ministério do Turismo também está promovendo iniciativas para um turismo responsável, como o programa Lixo Zero e a atualização do Mapa do Turismo Responsável.

