quinta-feira 5 de fevereiro

Críticas à Polícia Civil de Pernambuco

Em um recente descontentamento, João Campos, prefeito do Recife, manifestou sua preocupação com o que ele considera um ‘uso político’ da Polícia Civil de Pernambuco. Segundo Campos, as ações da polícia sob a administração da Secretaria de Defesa Social, comandada por Raquel Lyra, estão mais voltadas para a perseguição política do que para a investigação séria de crimes. ‘O que está em jogo não é apenas a polícia investigar, mas sim realizar isso da maneira correta. Eu não tolero corrupção, mas também não aceito que a perseguição prevaleça’, afirmou.

O prefeito ainda acrescentou que estas ações ‘não ficarão impunes’, ressaltando que não vale tudo na disputa eleitoral. A Secretaria de Defesa Social, por sua vez, argumentou que o procedimento iniciado a partir de uma denúncia anônima foi totalmente legal e que, após investigação, foi arquivado por não haver indícios de irregularidades.

A Perseguição e suas Implicações

João Campos argumentou que a reabertura de inquéritos por motivos eleitorais e a realização de diligências sem ordem judicial configuram, na verdade, uma verdadeira perseguição. Ele afirmou: ‘Foi revelado que inquéritos foram desarquivados por interesse eleitoral, sem a devida formalidade. Colocar rastreadores em veículos oficiais da prefeitura sem autorização judicial é um ato criminoso. Se não fosse pela imprensa livre, essas ações não teriam sido denunciadas.’ A pergunta que permeia essa situação é: quem está realmente dando as ordens por trás desse movimento?

O prefeito também expressou sua indignação ao mencionar redes de ‘ódio’ e desinformação que o atacam desde sua reeleição em 2024. Ele lembrou que, durante o período eleitoral, uma investigação sobre supostas irregularidades em creches foi arquivada, mas posteriormente retomada em um momento inapropriado.

Monitoramento Ilegal e Ações de Espionagem

O caso ganhou mais complexidade quando se revelou que o secretário de Defesa Social, Alessandro Monteiro, foi monitorado entre agosto e outubro de 2025. Os policiais envolvidos seguiam o carro do secretário, compartilhando informações sobre sua rotina em um grupo de mensagens. Em uma das mensagens, Monteiro foi descrito como ‘alvo da missão’. A situação se agravou quando um rastreador foi instalado em um veículo usado por Monteiro e seu irmão, Eduardo, que também foi alvo de vigilância enquanto fazia compras em um mercado do Recife.

A situação chamou atenção quando uma mensagem capturada dizia: ‘Rotina do veículo se repetiu pela manhã. Veículo chega à prefeitura às 8 horas’, demonstrando uma aparente organização para monitorar os movimentos dos envolvidos.

Defesa da Polícia Civil e Reações da Prefeitura

A Polícia Civil de Pernambuco alegou que a operação ‘Nova Missão’ foi instaurada após a denúncia anônima sobre um suposto esquema de propinas. No entanto, a investigação não encontrou evidências suficientes para abrir um inquérito formal. As autoridades negaram qualquer irregularidade no procedimento, afirmando que as denúncias anônimas apenas servem como fonte de informação para investigações preliminares.

Em resposta, o secretário de Defesa Social defendeu a atuação da polícia, afirmando que as ações foram realizadas dentro da legalidade e que a instalação do rastreador não necessitava de autorização judicial. A prefeitura, por sua vez, repudiou quaisquer tentativas de uso das forças policiais para fins de perseguição política, considerando a conduta como ilegal e imoral.

Opinião do Advogado e Críticas de Parlamentares

O advogado de Monteiro, Eduardo Trindade, solicitou à Polícia Civil uma cópia do procedimento, questionando se a investigação seguiu os trâmites legais. ‘Queremos entender se tudo foi feito de maneira formal ou informal. É essencial que um delegado registre um boletim de ocorrência antes de qualquer ação’, explicou.

Parlamentares aliados de Campos também criticaram a conduta da polícia. A deputada federal Maria Arraes, vice-líder do governo Lula na Câmara, descreveu as ações como ‘inadmissíveis’, enquanto o deputado estadual Sileno Guedes, líder do PSB, acusou a Polícia Civil de ser utilizada como ferramenta de espionagem contra adversários políticos.

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