sábado 17 de janeiro

A aquisição da Um Telecom e suas implicações para a V.tal

A V.tal – Rede Neutra de Telecomunicações S.A., reconhecida como a maior operadora de fibra óptica do Brasil, anunciou na última segunda-feira (29) a aquisição integral da Um Telecom. Esta operadora pernambucana, situada em Recife (PE), possui uma presença robusta no Nordeste, atuando em todas as capitais dessa região e em mais de 200 cidades. Com essa transação, a V.tal incorpora uma rede de mais de 20 mil km de fibra óptica e cerca de mil contratos ativos, consolidando sua liderança na infraestrutura digital.

Com essa ampliação, a V.tal assume o controle de uma das maiores redes regionais do país, aumentando sua atuação na infraestrutura digital do Nordeste e solidificando sua posição como a principal fornecedora de redes neutras na área.

Etapas e regulamentação para a finalização da compra

A conclusão dessa operação ainda está sujeita à aprovação regulatória e concorrencial, com expectativa de finalização até o primeiro trimestre de 2026. Durante o período de integração, a V.tal garantiu que todos os contratos, acordos de nível de serviço (SLAs) e rotinas de atendimento da clientela da Um Telecom permanecerão inalterados.

Impacto da aquisição no mercado de telecomunicações

Esta aquisição da Um Telecom amplia significativamente a rede da V.tal em um território estratégico para o setor de telecomunicações. A integração dos ativos da operadora nordestina não apenas reforça a infraestrutura local, mas também melhora a conectividade entre regiões e a conexão internacional por meio de Fortaleza (CE), um ponto crucial para o tráfego de dados.

O modelo de operação neutra da V.tal oferece infraestrutura compartilhada a provedores regionais, operadoras móveis, gigantes da tecnologia e serviços corporativos. Com a nova estrutura, a empresa alcança um impressionante total de 450 mil km de rede terrestre, além de 26 mil km de cabos submarinos, e já leva conectividade a 22 milhões de residências por meio de fibra até a casa (FTTH).

Desempenho financeiro da Um Telecom e suas perspectivas

No fechamento do ano de 2024, a Um Telecom reportou uma receita de R$ 95 milhões, representando um crescimento de 25% em comparação aos R$ 75,8 milhões de 2023. O EBITDA também apresentou uma alta expressiva de 45,5%, especialmente no segmento governamental, que saltou de R$ 18,4 milhões para R$ 40,6 milhões. Para 2025, a projeção de receita é de R$ 44 milhões, enquanto no segmento Carrier, a expectativa é de um crescimento de 14%, vislumbrando uma receita de R$ 18,4 milhões.

Esses resultados levaram a Um Telecom a se destacar no Ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, onde ocupou a primeira posição entre as empresas pernambucanas na categoria de receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões. Este ranking avalia não apenas resultados financeiros, mas também práticas de governança, sustentabilidade e impacto social, sendo esta a terceira vez que a empresa aparece na lista.

Inovações e investimentos em data center

Em uma nova frente de atuação, a Um Telecom lançou em 2025 a Atlantic Data Centers, focada no mercado de data centers em grande escala. O primeiro empreendimento, o Recife1, foi inaugurado no Parqtel, em Pernambuco, apresentando infraestrutura inicial de 150 racks e 1 MW de potência para equipamentos de TI. O investimento inicial foi de R$ 50 milhões, com o financiamento do BNDES, e o total previsto para esse projeto é de R$ 300 milhões.

As fases futuras do Recife1 podem elevar a capacidade total para até 6 MW de carga de TI, colocando este centro de dados entre os mais robustos do Nordeste. A iniciativa também posiciona a Um Telecom no mercado de colocation e serviços críticos, visando atender à demanda de empresas e instituições.

Estabilidade contratual e continuidade de operações

A V.tal reafirmou que todos os contratos atuais da Um Telecom permanecerão válidos e sem mudanças no curto prazo. A estrutura dos SLAs e o atendimento aos clientes serão mantidos até a conclusão do processo de incorporação.

A estratégia da V.tal continua a ser baseada na separação entre infraestrutura e operações comerciais, garantindo a continuidade operacional. Esta movimentação está alinhada com a política de crescimento inorgânico, visando preservar os ativos operacionais já existentes.

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