Foliões Contra a Repressão
No último Carnaval, a atmosfera festiva da Região Metropolitana de Recife foi marcada por cenas de violência policial, onde a Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE) reprimiu com força os foliões. Muitos participantes das festividades se sentiram agredidos e decidiram reagir, arremessando pedras e pedaços de madeira contra os policiais em resposta aos ataques.
Antes do início das comemorações, uma manifestação contra o imperialismo foi duramente reprimida pela mesma corporação, que utilizou balas reais contra os manifestantes e prendeu o estudante Mateus Galdino sem provas, em um claro ato de perseguição política.
Segundo o Secretário Alessandro de Carvalho, da Secretaria de Defesa Social (SDS), foram registrados mais boletins de ocorrência de agressões contra os policiais do que ações violentas cometidas pela PM. Durante o Carnaval, que aconteceu de 12 a 18 de fevereiro, apenas 3 boletins indicavam que a PM tinha sido agressora, enquanto 13 relatavam agressões contra os agentes. No entanto, a quantidade de vídeos divulgados nas redes sociais que mostram a resistência popular e a repressão policial supera de longe esses registros oficiais.
Apesar da disparidade de forças, os foliões se uniram na defesa própria. Um exemplo foi quando a PM tentou reprimir os foliões em um momento de lazer e o público se uniu para repelir a agressão, arremessando objetos em direção aos agentes.
Em Olinda, uma mulher denunciou que foi agredida por um policial ao andar com sua família. Um dos incidentes mais notórios aconteceu durante um show do rapper Djonga no festival Rec-Beat, onde a PM atacou o público presente. Um jovem, que relatou ao diário local Diário de Pernambuco, afirmou que foi agredido sem motivo aparente, resultando em um ferimento que exigiu sete pontos em sua cabeça.
Djonga comentou sobre a situação, destacando que, após resistirem à violência policial, ele se dirigiu ao público e pediu paz, mas mesmo assim a agressão continuou. Os foliões, em resposta, começaram a entoar palavras de ordem contra a PM e a arremessar objetos.
Outro fã que estava no show também relatou que, após o fim da apresentação, os policiais agrediram indiscriminadamente todos presentes na festa. O bloco de carnaval “Eu Acho é Pouco” se manifestou contra as abordagens brutais da polícia, que atravessava o cortejo com viaturas, ameaçando a segurança dos foliões. Eles ressaltaram que nunca presenciaram confusões entre os participantes e que as agressões eram inaceitáveis em um ambiente festivo.
A Secretaria de Defesa Social e a Polícia Militar negaram os relatos de violência, comunicando que os registros não mostram o que aconteceu antes das intervenções, mas apenas o momento da ação policial. Em resposta ao que ocorreu durante o show do Rec-Beat, o Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) argumentou que as ações foram necessárias para conter tumultos e garantir a integridade dos envolvidos.
O Promotor de Justiça Westei Conde, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), enfatizou que a atuação da PM durante o Carnaval não justifica a dispersão de foliões, reiterando a importância do direito de reunião e da liberdade de expressão sem abusos que possam comprometer a cidadania.
A repressão policial não foi um fenômeno isolado do Carnaval. Em uma manifestação anterior em apoio à Venezuela, a PM disparou contra manifestantes, resultando em feridos e detenções. O estudante Mateus Galdino foi preso após essa manifestação, acusado de tentativa de homicídio, em um processo considerado injusto por sua defesa e pelo MPPE, que o caracteriza como sem materialidade.
Esses episódios revelam não apenas a luta dos foliões por seus direitos durante o Carnaval, mas também um padrão de repressão que se estende além das festividades, refletindo um contexto de violência policial sistemática.
