Um Convite à Sabedoria Ancestral
O Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim, um espaço que carrega 75 anos de história, abriu suas portas para novas vivências que celebram a cultura afro-brasileira. O projeto “Vivência de Saberes Ancestrais” busca preservar e compartilhar o conhecimento ancestral por meio de 20 encontros dedicados à tradição dos Orixás Nagô Ẹ̀gbá, típicos de Pernambuco. As inscrições, que são gratuitas, ficam abertas até o dia 2 de março.
As atividades ocorrerão no próprio terreiro, localizado na Travessa Horizontina, nº 22, no bairro da Mangueira, Recife. Os encontros estão agendados para as noites, entre 18h e 23h, e têm como público-alvo principal os membros de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Afro-brasileira e Afro-indígena.
Uma Imersão na Tradição
Realizadas pelo Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim, as vivências vão além de simples encontros; elas representam uma verdadeira imersão nas tradições que envolvem os itans, as histórias míticas dos orixás, e os cânticos em língua yorubá. Os participantes também aprenderão sobre o uso de ervas sagradas, prepararão comidas típicas dos orixás e se envolverão com a rica musicalidade e ritualística que permeiam essas práticas.
Esse projeto reafirma a importância da oralidade e da experiência coletiva como pilares na transmissão do saber ancestral. As inscrições podem ser feitas por meio de um formulário online, e mais informações estão disponíveis nas redes sociais do terreiro, especificamente no Instagram @familia_bonfimofc, ou através do e-mail [email protected].
Destinatários e Vagas Limitadas
O projeto é destinado a Ìyálórìṣà, Bàbálórìṣà, Èkéjì, Ọ̀gá, Ìyàwó, Abíyàn, sacerdotisas, sacerdotes, juremeiras e juremeiros. Ao todo, são oferecidas 15 vagas, com a condição de participação integral em todas as atividades, reforçando a profundidade da experiência e a construção de laços duradouros. A ancestralidade é tratada como um conhecimento vivo, que se perpetua pelo encontro e pela partilha.
Calendário das Vivências
Os encontros seguirão o calendário dos ciclos dos orixás, com as datas organizadas da seguinte forma: Exú nos dias 4 e 11 de março; Ògún em 18 e 25 de março; Oxóssi em 11 e 25 de abril; Obaluaê em 2 e 30 de maio; Nanã em 13 e 20 de junho; Oxum em 4 e 22 de julho; Iemanjá em 1º e 22 de agosto; Xangô em 5 e 26 de setembro; Oyá em 3 e 24 de outubro; e Oxalá em 7 e 28 de novembro.
Uma História de Resistência
Fundado em 19 de março de 1950 pela Yalorixá Joana de França Medeiros, popularmente conhecida como Mãe Joaninha de Oxaguian, o Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim se estabeleceu como uma referência na tradição Nagô Ẹ̀gbá em Pernambuco. Ao longo de seus 75 anos, a casa tem mantido viva a essência do Candomblé e da Jurema Sagrada, conectando-se com o Sítio de Pai Adão e outras tradições significativas da religiosidade afro-pernambucana. O terreiro se destaca como um espaço de fé, cultura e resistência contra o racismo religioso, além de preservar a memória afro-indígena na capital pernambucana.
Atualmente, a liderança do terreiro está nas mãos da Yalorixá Cris de Oyá e do Babalorixá Lange de Oxalá, que conduzem as vivências e compartilham saberes que foram transmitidos por gerações.
Acessibilidade e Inclusão
O projeto tem um compromisso claro com a acessibilidade, garantindo que o espaço físico do terreiro seja acessível para todos. Além disso, um intérprete de Libras estará disponível, se necessário, para assegurar que pessoas com deficiência possam participar plenamente das atividades.
A iniciativa é viabilizada por meio de incentivos da PNAB Recife, no âmbito do Edital Cultura Viva, que foca no fomento a projetos continuados de Pontos de Cultura, contando ainda com o apoio da Associação Amigos de Nossa Senhora da Conceição, do Coletivo Anarriê e da Diáspora Brasil.

