quarta-feira 11 de fevereiro

Uma Viagem Musical pelo Samba e Pagode em Grande Estilo

O cantor e compositor Zé Manoel está prestes a encantar o público no Carnaval do Recife com seu novo show intitulado “Do Sambalanço ao Pagode 90”. A apresentação acontecerá no dia 16 de fevereiro, às 22h, no Polo das Graças, prometendo transformar a folia em um autêntico baile a céu aberto, repleto de memória, emoção e ritmos contagiantes.

Este espetáculo representa uma verdadeira jornada musical pela rica história do samba urbano brasileiro, especialmente aquele que nasceu e se desenvolveu nas pistas de dança, clubes e festas de bairro. Desde os anos 1960, São Paulo tem sido um berço de um estilo musical popular, forte e predominantemente negro, que conquistou as rádios, lojas, telas da televisão e as celebrações locais. O samba se incorporou ao cotidiano, tornando-se um elemento essencial da identidade cultural brasileira.

Idealizado como parte de um projeto de pesquisa, o show de Zé Manoel delineia uma linha do tempo sonora que abrange desde o samba-jazz e o sambalanço dos anos 60, passando pela ginga do samba-rock — com menções ao icônico Trio Mocotó — até a vibração emotiva do pagode romântico dos anos 1990. Mais do que um formato rígido, a apresentação é um exercício dinâmico de memória, aberto a novos encontros e interações, estabelecendo conexões entre o passado e o presente.

Na era anterior à internet, os bailes eram locais de sociabilidade, onde o desejo e a conquista se encontravam. As festas de aniversário e os eventos comunitários formavam cenários perfeitos para se vestir bem, caprichar no perfume e deixar a dança expressar sentimentos. Namoros e casamentos se iniciavam e encerravam em salões que iam da Lapa ao Jabaquara, e esses momentos cotidianos, repletos de frustrações e alegrias, tornaram-se a essência de melodias e letras que o público reconhecia como parte de suas próprias histórias.

Um ícone desse universo foi o famoso baile do Chic Show, realizado no Ginásio do Palmeiras, que simboliza como a música de qualidade, aliada à popularidade, sustentou o sucesso dos grandes bailes por muitos anos. Mesmo ambientes modestos conseguiram deixar uma marca indelével nas memórias dos frequentadores. Basta dar uma olhada nos comentários de músicas no YouTube para notar que essas canções continuam a ressoar com força.

Dentro dessa cena, o papel dos discotecários — diferentes dos DJs — era fundamental. Esses guardiões da memória do samba-rock e dos bailes nostálgicos eram responsáveis por trazer à tona verdadeiros tesouros musicais, frequentemente guardados em segredo devido a rivalidades entre grupos. Com equipamentos simples e um vasto conhecimento histórico, eles eram essenciais para divulgar canções que muitos desconheciam, como “Grilos da Vida”, de Jardes, ou “You Send Me”, de Roy Ayers.

As décadas de 1980 e 1990 trouxeram uma nova geração, ainda mais eclética, que se destacou através do pagode romântico, que teve em São Paulo seu verdadeiro berço. Bandas como Raça Negra, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Eliana de Lima e Exaltasamba transformaram jovens humildes em estrelas da música nacional, impulsionadas por programas de TV populares e pela cobertura da mídia musical.

Por isso, clássicos como “Meu Guarda-Chuva”, “Fato Consumado”, “Charlie Brown” e “Falador Passa Mal” estarão presentes nesse show. Com direção musical de Thiaguinho Silva e produção executiva da Nova Raiz Produções, “Do Sambalanço ao Pagode 90” no Carnaval do Recife se consolidará como um grande baile coletivo, onde o swing, a pulsação e as memórias dançarão juntos, proporcionando ao público uma experiência inesquecível.

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