Um Último Adeus a Raul Jungmann
A morte de Raul Jungmann, ocorrida no último domingo (18), marca o fim de uma longa e significativa trajetória na vida pública brasileira. O ex-ministro foi velado e cremado na segunda-feira (19), no Cemitério Campo da Esperança, localizada na Asa Sul, em Brasília, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Nascido em Pernambuco, Jungmann teve uma carreira política notável, atuando como vereador, deputado federal e ministro em diferentes administrações. Seu trabalho abrangeu áreas essenciais do Estado, incluindo reforma agrária, defesa e segurança pública. Jungmann faleceu aos 73 anos devido a um câncer no pâncreas.
O ex-ministro esteve internado no Hospital DF Star desde novembro de 2025, tendo recebido alta em dezembro. No entanto, sua saúde se deteriorou e ele foi readmitido no hospital no final do ano, falecendo no dia 18.
Trajetória Política e Contribuições
Raul Jungmann, natural do Recife (PE), começou sua jornada política no âmbito estadual e municipal, antes de conquistar destaque em nível nacional. Ele foi vereador da capital pernambucana entre 2013 e 2014 e exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco, nos períodos de 2003 a 2010 e de 2015 a 2016.
Na Câmara dos Deputados, Jungmann participou de comissões importantes e foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que apurou irregularidades na compra de ambulâncias. Seu papel também se destacou no referendo de 2005 sobre a venda de armas de fogo, onde foi um dos líderes da Frente Brasil Sem Armas. Durante a legislatura iniciada em 2015, posicionou-se contra o governo de Dilma Rousseff e defendeu o impeachment da presidente.
No governo federal, Jungmann ocupou o Ministério do Desenvolvimento Agrário entre 1999 e 2002, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, um período em que foram debatidas questões estruturais sobre políticas fundiárias e reforma agrária. Anos mais tarde, atuou como ministro da Defesa entre 2016 e 2018 e, ainda em 2018, tornou-se o primeiro titular do novo Ministério da Segurança Pública, no governo de Michel Temer.
Enquanto liderava os Ministérios da Defesa e da Segurança Pública, coordenou operações apoiadas por decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permitiam o uso das Forças Armadas em locais enfrentando crises de segurança.
Última Atuação e Legado
A última posição pública de Raul Jungmann foi como diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cargo que ocupou desde março de 2022. Nesta função, destacou-se como uma voz proeminente na defesa do potencial do Brasil em minerais críticos e estratégicos, alinhando o setor mineral à agenda de transição energética.
Em nota, o Ibram ressaltou que Jungmann será lembrado por sua “competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética” que deixou ao longo de sua carreira.
Repercussão e Homenagens
A morte de Jungmann gerou manifestações de pesar por parte de autoridades dos Três Poderes e de diversas correntes políticas. O ex-presidente Michel Temer o descreveu como “um brasileiro que soube servir ao país”. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes reconheceu sua “rara integridade e densidade republicana”, enquanto Alexandre de Moraes enfatizou a colaboração conjunta na segurança das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Ministros de Estado, parlamentares e líderes partidários também expressaram suas condolências, destacando o perfil institucional e a habilidade de diálogo do ex-ministro. Raul Jungmann deixa dois filhos e uma neta, que agora perpetuarão sua memória e legado.

