Uma Iniciativa Transformadora
Na última quinta-feira, dia 12, Recife foi o cenário do lançamento da 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco. Esta ação visa mobilizar escolas, comunidades e organizações sociais em todo o Brasil com o objetivo de fortalecer a cultura de prevenção a desastres e promover a justiça climática. O evento ocorreu no Instituto Leopoldo Nóbrega, onde educadores, mobilizadores e líderes comunitários se reuniram para marcar essa importante iniciativa.
A campanha é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), e pelo Ministério das Cidades, através da Secretaria Nacional de Periferias (SNP). Essa ação integra políticas públicas focadas em educação, ciência e desenvolvimento urbano, incentivando o engajamento da comunidade no enfrentamento das mudanças climáticas e na prevenção de desastres.
Aproximação entre Ciência e Comunidade
Durante o evento, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a importância da campanha como um meio de aproximar a ciência da vida cotidiana das pessoas, especialmente em áreas vulneráveis. Ela destacou que a proposta é transformar escolas e comunidades em centros de prevenção, capacitados para identificar riscos, agir em conjunto e proteger vidas. “Este projeto exemplifica que ciência, tecnologia e inovação não são meros conceitos abstratos. Elas são ferramentas de proteção, justiça social e cuidado que realmente salvam vidas”, enfatizou.
Um caso emblemático mencionado foi o de Jaboatão dos Guararapes, onde alunos que participaram do programa do Cemaden Educação construíram pluviômetros caseiros, monitorando as chuvas e alertando a população durante as intensas precipitações de 2022, contribuindo para evitar tragédias na comunidade.
Integrando Arte e Educação
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, enfatizou que a conexão com a vida cotidiana das comunidades é fundamental para o sucesso do trabalho dos especialistas. “A criação do Cemaden Educação surgiu do desejo de levar o conhecimento científico até as pessoas. Embora falar sobre riscos de desastres não seja uma tarefa simples, é crucial que os conhecimentos adquiridos nas pesquisas sejam traduzidos para que a sociedade possa se proteger”, defendeu a diretora.
O multiartista Leopoldo Nóbrega, responsável pela emblemática escultura do Galo, que simboliza o Carnaval recifense, compartilhou sua visão sobre a interconexão entre arte, ciência e inclusão social. Ele afirmou que “ciência, arte e inclusão social não são entidades isoladas — elas se fortalecem mutuamente. A escultura do Galo é um exemplo de projeto inclusivo, que envolveu mais de 200 participantes, incluindo moradores em situação de rua, que contribuíram para criar um mosaico colorido utilizando lonas descartadas”.
Desafios e Oportunidades nas Comunidades Periféricas
As comunidades em áreas periféricas são as que mais sofrem com os riscos de desastres naturais. Samia Sulaiman, coordenadora-geral de Articulação do Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos da Secretaria Nacional de Periferias, destacou que, embora investimentos em infraestrutura sejam essenciais, a educação para a prevenção é fundamental. “Implementamos diversas políticas públicas, mas a educação é o caminho para alcançar cada comunidade e suas especificidades. Os especialistas não estão apenas nas universidades, mas também nas comunidades. Aspiramos que essa iniciativa gere um carnaval de campanhas coloridas, trazendo visibilidade positiva para as periferias, que enfrentam desigualdade e vulnerabilidade, mas também demonstram grande potencial de resistência”, sublinhou.
Perspectivas Futuras e Educação como Pilar
A coordenadora do Programa Cemaden Educação, Rachel Trajber, expressou sua alegria ao ver o projeto se concretizando nas comunidades. Ela alertou que aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas são frequentemente os que mais sofrem suas consequências. “Precisamos trabalhar juntos no enfrentamento das mudanças climáticas. Os desastres estão se tornando mais frequentes e intensos, especialmente em locais que até então não enfrentavam esse tipo de problema. Com a proposta de justiça climática, concebemos uma ‘campanha de campanhas’ para que cada território adapte as informações às suas realidades locais, diminuindo vulnerabilidades”, concluiu.
Detalhes sobre o Projeto
O projeto #AprenderParaPrevenir adota uma abordagem de “campanha de campanhas”, incentivando que cada região desenvolva suas próprias ações de prevenção de acordo com seus riscos. Isso inclui a formação de mobilizadores escolares e comunitários, educadores e facilitadores municipais, além de atividades pedagógicas, projetos de ciência cidadã e ações de sensibilização. A iniciativa reforça a educação como o eixo central das políticas públicas de adaptação climática e proteção à vida, com um enfoque em ciência cidadã e mobilização comunitária para criar cidades mais seguras e resilientes.
Na edição de 2025-2026, a campanha visa impactar cerca de 30 mil estudantes em pelo menos 23 municípios prioritários, escolhidos com base em critérios de risco socioambiental. As inscrições para as campanhas nas comunidades abrirão em abril, permitindo mapear e reconhecer as experiências desenvolvidas por escolas e comunidades em todo o Brasil, promovendo a troca de aprendizados e a disseminação de ações preventivas.

