Críticas à expansão das apostas em Recife
A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), intensificou nesta quinta-feira (24) suas críticas às casas de apostas online durante uma agenda com empresários do setor de tecnologia no Recife. Em meio a uma ofensiva recente contra as “bets” e após comentar publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os impactos desse mercado, Raquel responsabilizou uma decisão tributária da Prefeitura do Recife pela expansão do segmento na capital. “É tudo decisão política. O Recife decidiu ser a capital das bets”, afirmou, em um tom direto.
Posição contrária do governo estadual às apostas
Em conversa com integrantes da Associação de Empresas de Tecnologia de Pernambuco (Aponti), entidade que reúne empresas do setor, a governadora reiterou sua oposição à atividade e garantiu que o governo estadual não aceita patrocínios de empresas ligadas às apostas. Para Raquel, o avanço das “bets” traz problemas concretos nas áreas da saúde e da segurança pública, citando casos de endividamento e o risco do uso dessas plataformas para lavagem de dinheiro.
“Eu sou contra as bets e sempre fui. Não aceito nenhum tipo de patrocínio do governo do Estado referente às bets”, declarou. Ela destacou dois grandes males associados à atividade: os efeitos nocivos à saúde e o impacto potencial na segurança. “Muita gente está adoecendo por causa disso, está se endividando e deixando de colocar comida na mesa”, complementou.
Tributação e incentivos fiscais em debate
Raquel retomou críticas direcionadas à gestão da Prefeitura do Recife, especialmente à redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) aplicada durante a administração do prefeito João Campos (PSB), seu adversário na disputa pelo Governo de Pernambuco. Essa mudança, aprovada pela Câmara Municipal em março de 2025, baixou para 2% a alíquota do ISS sobre serviços relacionados à distribuição e venda de bilhetes e produtos de loteria, incluindo modalidades de apostas.
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A governadora tem usado publicações do presidente Lula para questionar o incentivo fiscal que, segundo ela, favoreceu a disseminação das apostas na capital. “Após a mudança, é bet pra todo lado”, disse em declaração recente, reforçando o posicionamento contra a medida.
Investimentos em tecnologia e inovação no Estado
Além das críticas ao setor de apostas, Raquel destacou avanços e investimentos do governo de Pernambuco em ciência, tecnologia e inovação. Ela mencionou o programa InovaPE, que reúne cerca de R$ 1 bilhão em recursos e engloba iniciativas ligadas ao Porto Digital, à interiorização do ecossistema tecnológico, à qualificação profissional e ao suporte a startups.
Entre as ações mencionadas estão a criação do Núcleo de Empreendedorismo (NERD), a expansão das GovTechs e aportes na Universidade de Pernambuco (UPE). Para a governadora, a estratégia é usar a tecnologia para aprimorar a prestação dos serviços públicos e criar ambiente favorável à expansão das empresas do setor no Estado.
“Pernambuco está pronto para viver os melhores anos da sua história. Temos mão de obra qualificada, um setor tecnológico forte e estamos preparados para receber empresas globais”, afirmou durante o encontro.
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Demandas do setor e propostas de apoio
Representantes da Aponti apresentaram demandas relacionadas à formação de profissionais, crédito para startups, infraestrutura para inteligência artificial, soberania digital e ampliação da participação das empresas de tecnologia nas compras públicas. Uma proposta em discussão envolve a criação de mecanismos de financiamento que reduzam o risco para empresas, especialmente as de menor porte.
Raquel sinalizou que o governo pode contribuir com a criação de um fundo público-privado e mencionou iniciativas de crédito e fomento já existentes em Pernambuco. Defendeu ainda o uso da estrutura pública como ambiente para desenvolvimento e testes de novas soluções tecnológicas.
Digitalização e uso de dados na gestão pública
A governadora apresentou uma série de ações de digitalização da administração estadual, incluindo a ampliação dos serviços digitais, investimentos em infraestrutura tecnológica para hospitais e escolas e a aplicação de inteligência de dados para aprimorar a gestão pública. O objetivo é que o Estado se torne um comprador relevante de tecnologia, utilizando essas soluções para melhorar áreas essenciais como saúde, segurança e educação.
Essa agenda tecnológica reflete o compromisso do governo em transformar a inovação em melhorias concretas para a população e o setor produtivo, alinhando recursos e políticas para fomentar o crescimento sustentável do setor em Pernambuco.

