Influência da juventude e estratégias digitais na disputa eleitoral
Na corrida pelo governo de Pernambuco, a recente pesquisa quaest revelou um movimento decisivo: raquel lyra (PSD) ultrapassou João Campos (PSB) em intenções de voto, especialmente entre os eleitores jovens. O crescimento de 20 pontos percentuais da governadora entre os pernambucanos de 16 a 34 anos foi determinante para sua liderança, segundo avaliação das equipes de campanha.
Os dados indicam que Raquel passou de 32% para 52% nesse grupo, enquanto João Campos recuou de 40% para 30%. No cenário geral, a governadora lidera com 43% das intenções contra 37% do ex-prefeito de Recife, margem ainda dentro da margem de erro. Essa mudança de patamar chamou a atenção, sobretudo por se dar em um ambiente tradicionalmente favorável a João Campos, que dominava as redes sociais no estado.
Repaginação da imagem e investimento em redes sociais
Especialistas em marketing político atribuem a virada à transformação na comunicação digital de Raquel Lyra. A campanha promoveu uma reestruturação da imagem da governadora, combinada a um aporte financeiro significativo para impulsionar conteúdos nas redes sociais. Entre maio e agosto, o PSD investiu R$ 183.736 em 238 publicações, com foco prioritário no público jovem e nas mulheres, conforme a Biblioteca de Anúncios da Meta.
O impulsionamento durante a pré-campanha foi realizado dentro das regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permite esse tipo de gasto desde que não configure propaganda antecipada ou contenha pedido explícito de votos ou ataques a adversários. Advogados especializados em direito eleitoral destacam que a avaliação depende do conteúdo específico de cada post e do contexto em que foi divulgado.
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A estratégia de comunicação e o apelo local
O marqueteiro Igor Paulin liderou a mudança na linguagem da campanha, buscando desconstruir a imagem séria e mais formal da governadora para apresentá-la como uma figura mais próxima e digitalmente conectada. A adoção do apelido “mainha” e o uso de símbolos pernambucanos, como cores e mapas do estado em roupas e acessórios, reforçaram essa identificação.
Em eventos públicos, como o carnaval em Recife, Raquel utilizou elementos visuais que remetem à identidade local, como o vestido azul com a bandeira do estado. Essa postura gerou reação de João Campos, que afirmou que a bandeira “não pertence nem a ele e nem a nenhum político”.
Crescimento digital e engajamento nas redes sociais
Os números confirmam o sucesso da estratégia. De 6 de julho a 4 de agosto, Raquel conquistou 63.386 novos seguidores, crescimento de 3,43%, enquanto João Campos avançou apenas 0,35%, com 10.379 seguidores. No total, 85,9% dos novos seguidores acumulados foram para Raquel, que também alcançou o dobro do engajamento do adversário, mesmo com menor volume de publicações.
Esse avanço expressivo foi aliado a um alinhamento entre o discurso digital e as ações governamentais. A governadora intensificou a divulgação de suas entregas, especialmente em canteiros de obras pelo interior do estado, fortalecendo sua imagem de gestora atuante e conectada com as demandas locais.
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Disputa pelo interior e percepção do eleitorado
Enquanto João Campos é visto como uma figura mais associada à capital e com alcance nacional, Raquel expandiu sua base para o interior de Pernambuco. O cientista de dados Alek Maracajá, fundador da AtivaWeb DataLab, observa que essa estratégia fez com que a governadora ganhasse eleitores efetivamente decisivos para a eleição, ao contrário do adversário, que mantém uma base consolidada, mas com menos penetração local.
Mesmo com a liderança digital tradicional de João Campos, que conta com mais de um milhão de seguidores e histórico de influência junto ao governo federal, a disputa digital em Pernambuco se equilibrou. A conversa virtual passou a ter múltiplos protagonistas, refletindo a competitividade do pleito.
Aprovação e articulação partidária
A pesquisa também aponta crescimento na aprovação da gestão de Raquel Lyra entre os jovens, com 72% de avaliação positiva, alta de 13 pontos percentuais, enquanto a desaprovação caiu para 20%. No geral, a desaprovação está em 23%, uma das menores do Nordeste.
No último domingo, o PSD oficializou a candidatura de Raquel à reeleição durante convenção em Recife. Apesar da neutralidade do partido na disputa presidencial, a governadora agradeceu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu discurso, sem mencionar o ex-governador Ronaldo Caiado, concorrente na eleição federal. Essa busca pelo legado político do presidente petista é fator relevante na polarizada disputa entre Raquel e João Campos pelo governo estadual.

