sábado 17 de janeiro

Desafios para o PT nas eleições de 2026

A candidatura de Flávio ao Planalto tem levado o Partido dos Trabalhadores (PT) a reavaliar suas estratégias na disputa contra Tarcísio em São Paulo. Com o histórico da última eleição, em que Tarcísio conquistou 55,27% dos votos, o objetivo do PT é manter um patamar de votação similar ao alcançado nas urnas em 2022. Naquela ocasião, Lula obteve 4,3 milhões de votos a mais em São Paulo do que em 2018, quando Fernando Haddad foi candidato à Presidência. Parte do círculo próximo ao presidente acredita que a vitória apertada de Lula contra Bolsonaro foi influenciada pelo desempenho do petista no maior colégio eleitoral do Brasil.

Com isso, os aliados de Lula estão cientes de que é necessário evitar que Tarcísio alcance uma marca próxima a 60% dos votos, o que poderia prejudicar a candidatura do bolsonarista nas próximas eleições presidenciais.

Discussões sobre alternativas para a chapa

Este cenário complexo levou a intensas discussões sobre possíveis candidatos. Auxiliares de Lula indicam que tanto Haddad quanto Alckmin estão sendo considerados como alternativas competitivas para a disputa contra Tarcísio. No entanto, o presidente enfrenta desafios distintos para viabilizar qualquer uma dessas opções. Até o momento, tanto o ministro da Fazenda quanto o vice-presidente não se pronunciaram sobre o assunto.

Haddad, que já comunicou a Lula que não pretende concorrer em 2026 após suas derrotas em 2016, 2018 e 2022, expressou que prefere contribuir com o programa de governo caso Lula seja reeleito. Seu nome também é cogitado para a chefia da Casa Civil, caso o atual presidente vença novamente.

“O Haddad tem maturidade e história para decidir o que deseja fazer”, afirmou Lula no último mês de dezembro.

Alckmin e o jogo político em São Paulo

Por outro lado, Alckmin também enfrentaria desafios se decidisse abandonar seu cargo de vice para concorrer ao governo de São Paulo, onde já foi governador quatro vezes. Sua saída poderia criar um vácuo na chapa, especialmente com incertezas quanto ao apoio integral de partidos do centrão. Lula e Edinho Silva, presidente do PT, têm reiterado que Alckmin terá liberdade para decidir seu papel nas eleições.

Fontes próximas a Lula indicam que o presidente não forçará uma escolha, mas que sua habilidade em convencer será crucial nas próximas etapas. Além disso, uma ala significativa do PT defende a candidatura de Haddad como a melhor opção para governar São Paulo, sustentando que a permanência de Alckmin no cargo é preferível. Para esse grupo, a única justificativa para mudanças seria a ampliação da aliança eleitoral, com a inclusão de partidos como MDB e PSD, embora o cenário de apoio por parte dessas legendas ainda permaneça indefinido.

A busca por um nome forte para o governo

De acordo com essa perspectiva, o PT deve apresentar um candidato que possa captar votos para Lula. A lógica é que o candidato ao governo será o “chefe da campanha” no estado, não o postulante ao Senado. Contudo, outra corrente dentro do partido acredita que Alckmin seria a escolha mais sólida para enfrentar Tarcísio, dado seu potencial para angariar votos, inclusive entre os eleitores bolsonaristas, e seu bom desempenho em cidades menores. Alckmin mantém relações estreitas com prefeitos do interior e tem se mostrado hábil em manter diálogos com os Executivos municipais durante sua passagem pela Vice-Presidência e pelo Ministério da Indústria e Comércio.

Dentro desse planejamento, Haddad pode ser deslocado para uma candidatura ao Senado. A proposta é que essa mudança facilite a aceitação do ex-prefeito a um cargo majoritário, considerando que a disputa para o Senado tende a ser menos desgastante e que o PT já tem um histórico positivo na eleição de senadores em São Paulo.

Simone Tebet em ascensão

Outra figura relevante no contexto político de São Paulo é Simone Tebet, que está sendo considerada para uma candidatura ao Senado ou à vice-governadoria. Com um perfil mais moderado, ela tem potencial para atrair eleitores que não costumam apoiar o PT. Inicialmente resistente a mudar seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul, onde já exerceu os cargos de vice-governadora e senadora, Tebet já demonstra disposição para transferir sua candidatura para São Paulo.

Informações de apoiadores revelam que a ministra ficou satisfeita com o apoio recebido durante um jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas em São Paulo. Embora não tenha se manifestado publicamente, Tebet já sinalizou a sua intenção de estar ao lado de Lula em 2026, mostrando-se disposta a enfrentar o desafio que lhe for proposto. Proximidades com o presidente são frequentemente destacadas por petistas, que veem Tebet como uma candidata viável para a vice-presidência, caso Alckmin decida concorrer a outra vaga.

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