Compromisso com a Autonomia do TCE-PE
O novo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Carlos Neves, deixou claro que sua gestão não aceitará o uso político do órgão, especialmente em um ano eleitoral. Em uma coletiva, ele ressaltou a importância de manter o caráter técnico da Corte, apesar das tentativas da política de integrar o tribunal nas discussões partidárias. Neves tomou posse na última segunda-feira (5), eleito por aclamação, sucedendo Valdecir Pascoal em um consenso entre os conselheiros.
“Há uma tendência da política de tentar fazer com que o Tribunal passe a ser parte integrante do debate. Isso é uma técnica da política, não nossa. Costumo dizer que quem é pedra nos acha muito fraco, e quem é vidraça nos acha muito forte”, declarou Neves. Ele enfatizou que, embora a Assembleia Legislativa faça solicitações, o TCE não se deixará arrastar para o jogo político, mantendo sua autocontenção, e que qualquer tentativa de envolvê-lo em disputas será firmemente rejeitada.
Histórico com o PSB e Desafios Eleitorais
O novo presidente possui um histórico de associações com o PSB, atuando como advogado do diretório pernambucano do partido e próximo ao ex-governador Paulo Câmara, que o indicou ao tribunal. Neves se mostrou ciente de que esse passado pode ressurgir nas próximas eleições, especialmente com a candidatura do prefeito do Recife, João Campos, a governador.
“Atuei como advogado em várias correntes políticas, inclusive para os últimos cinco governadores. Essa pluralidade é uma característica da minha profissão, mas sei que tentativas de usar isso contra a instituição são comuns e, na maioria das vezes, ineficazes”, afirmou.
Transparência e Responsabilidade do TCE
O TCE foi envolvido em um polêmico caso de licitação de R$ 120 milhões relacionado à comunicação do governo, que foi contestada pela Corte, mas posteriormente liberada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Neves comentou que, devido a sua participação durante o julgamento, não pode se aprofundar no caso, mas garantiu que o TCE analisará todas as denúncias recebidas de cidadãos e concorrentes. “Temos um processo rigoroso para lidar com essas demandas e garantir a lisura nas ações do governo”, disse.
Prioridades e Iniciativas da Nova Gestão
Carlos Neves destacou a importância da comunicação ativa do TCE, que detém uma vasta base de dados sobre Pernambuco. “Precisamos mostrar à sociedade o valor que trazemos com nosso trabalho. O que conseguimos entregar precisa ser visível”, afirmou. Além disso, ele mencionou a urgência de abordar questões ambientais, como a gestão de resíduos sólidos e a preservação do Sertão, que enfrenta problemas sérios de produtividade das terras.
Outro ponto levantado pelo presidente é a relevância dos primeiros anos de vida das crianças, associando isso a programas que envolvem educação, saúde e assistência. “Os primeiros seis anos são decisivos para o futuro de qualquer cidadão. Precisamos priorizar isso em nossas ações”, afirmou.
Desafios Estruturais e Ações Conjuntas
Neves reconheceu que a saúde é um tema recorrente em Pernambuco, com dificuldades na contratação de médicos em áreas remotas. Ele também apontou problemas na estrutura escolar, como ônibus inadequados para o transporte seguro das crianças. “Não podemos simplesmente punir. Precisamos construir soluções em conjunto com os prefeitos e garantir que os municípios tenham os recursos necessários”, disse.
Para ele, a atuação do TCE deve ser, acima de tudo, orientadora e transformadora, buscando sempre o consenso e a colaboração com os gestores locais. “Um tribunal que funcione de fato como um agente de mudança é o que buscamos”, finalizou.
