terça-feira 13 de janeiro

Desafios em Debate

Nesta quarta-feira (26), um extenso encontro reuniu prefeitos, representantes da Compesa, da Secretaria de Saúde e outros órgãos em um debate crucial sobre a realidade hídrica da região e a situação do atendimento no Hospital Regional Emília Câmara (HR). A reunião abordou também o funcionamento do SAMU, a restauração da PE 292, questões de loteamentos irregulares e o repasse da iluminação pública pela Celpe às prefeituras.

No início do encontro, Washington Jordão, chefe do Setor de Distribuição da Compesa, apresentou uma análise preocupante sobre a realidade hídrica dos municípios, destacando que as previsões para o período chuvoso são de precipitações abaixo da média, o que pode agravar ainda mais a situação da região.

Saúde em Foco

O debate sobre saúde ganhou destaque, envolvendo a participação de promotores, prefeitos e a Dra. Carol Lemos, Diretora Geral de Assistência Regional da Secretaria de Saúde. Durante a discussão, críticos levantaram questões sobre a chamada ambulancioterapia, que diz respeito às transferências frequentes de gestantes para outras unidades, deixando muitos prefeitos insatisfeitos com a falta de resolutividade na transferência de pacientes em situações de emergência.

A Dra. Carol Lemos reconheceu as limitações enfrentadas pela unidade, mas defendeu que houve avanços, citando um aumento no número de partos realizados, que atualmente chega a 150 por mês. Ela também anunciou a implementação de processos administrativos para investigar casos de negligência médica, uma crítica recorrente levantada pelos gestores presentes. O prefeito de Afogados, José Patriota, expressou sua preocupação, afirmando que muitos médicos priorizam o lucro em vez do atendimento de qualidade.

Gestores de outras cidades, como Dêva Pessoa (Tuparetama) e Sebastião Dias (Tabira), também levantaram seus questionamentos, refletindo a insatisfação geral com a situação da saúde na região.

Intervenções Necessárias

O Ministério Público, representado pelo promotor Lúcio Almeida, defendeu a necessidade de um plano de intervenção na unidade de saúde, visando melhorar a qualidade do atendimento. Almeida criticou problemas como a instalação de equipamentos de raio-x e falhas no fornecimento de oxigênio, exigindo ações imediatas por parte da administração da saúde regional.

A Dra. Carol Lemos, por sua vez, descartou a possibilidade de ampliação de leitos na unidade e argumentou que a criação de uma UTI em Afogados é inviável, mas confirmou a previsão de uma UTI neonatal em Serra Talhada.

Críticas ao SAMU

Outro tema discutido foi o funcionamento do SAMU, que recebeu críticas diretas da Prefeitura de Serra Talhada por não ter colocado em operação a Central de Regulação. A gestão da saúde local argumentou que a responsabilidade pela demora era das demais prefeituras, que não haviam equipado suas unidades com sistemas de rádio. Entretanto, tanto os prefeitos quanto a Diretora da Geres contestaram essa justificativa. Mary Delânea, representante da Geres, ressaltou que as prefeituras necessitam de uma definição de frequência a partir da Central de Regulação para poder avançar na instalação dos sistemas.

Um grupo de trabalho foi criado para discutir as pendências com a Prefeitura de Serra Talhada, visando a implementação do serviço. A diretora do HR Emília Câmara, Leandra Cristina, destacou que a “sala vermelha” necessária para atender casos emergenciais já está pronta.

Controle e Fiscalização nas UBS

O promotor Lúcio Almeida também cobrou dos prefeitos um controle mais rigoroso na adoção de ponto eletrônico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Ele enfatizou que as cidades que já implementaram o sistema não devem ser penalizadas e destacou a importância da instalação para garantir a presença dos médicos e evitar que busquem atendimento em outras localidades. “O MP não abre mão da instalação do ponto eletrônico em todas as unidades”, afirmou Almeida, ressaltando a necessidade de um acompanhamento mais efectivo na saúde pública da região.

Exit mobile version