terça-feira 10 de março

Iniciativa Inovadora na Luta Contra a Violência de Gênero

No mês dedicado às mulheres, a Prefeitura do Recife lança a Clara IA, uma ferramenta de inteligência artificial que atua na identificação precoce de possíveis vítimas de violência e feminicídio nas unidades da Atenção Básica. Com essa ação, a administração municipal reforça a prevenção como um dos principais pilares de sua política de proteção às mulheres, ampliando a capacidade da rede pública de saúde em reconhecer sinais de risco antes que a situação se agrave.

A Clara IA é parte de um conjunto de estratégias que visa fortalecer o suporte às mulheres dentro do sistema público de saúde. Uma dessas estratégias é o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, um documento elaborado para aprimorar a atuação dos profissionais da saúde, oferecendo orientações sobre acolhimento, condução clínica e psicossocial, além de encaminhamentos e notificações de casos de violência.

Como Funciona a Clara IA?

A nova tecnologia é capaz de analisar dados clínicos e históricos registrados em sistemas de saúde. Quando identifica indícios de situações de violência, a Clara IA emite alertas para médicos, enfermeiros, dentistas e equipes multidisciplinares (E-Multi). Essas notificações aparecem diretamente no Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, durante o atendimento à usuária, permitindo que a equipe direcione o cuidado de maneira mais sensível e eficaz.

O nome da ferramenta é uma homenagem à Rede Clarissa, uma iniciativa da Prefeitura do Recife que foca no atendimento e proteção de mulheres vítimas de violência, demonstrando a conexão entre a inovação tecnológica e as políticas públicas de cuidado e defesa dos direitos femininos.

Colaboração e Desenvolvimento da Clara IA

A Clara IA é resultado de uma colaboração entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Saúde, a Vital Strategies, uma organização internacional de saúde pública, e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Este projeto pioneiro analisou registros de atendimento de 16 mil mulheres vítimas de violência nas Unidades de Saúde da Família ao longo de dez anos.

Esse trabalho permitiu não apenas a identificação de sinais diretos de violência, mas também a detecção de padrões de adoecimento e comportamento frequentemente associados às vítimas. Um dado significativo revelado pelos pesquisadores foi que, nos 90 dias que antecedem uma agressão grave ou feminicídio, muitas mulheres tendem a procurar os serviços de saúde com maior frequência, relatando problemas relacionados à saúde mental.

Essas descobertas reforçam o papel da Atenção Básica como um espaço crucial para a identificação precoce de situações de risco e para a interrupção do ciclo da violência.

Resultados Promissores e Expansão da Estratégia

Atualmente, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan são feitas por prontos-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica. A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, destaca a importância de transformar essa realidade: “A identificação precoce, a compreensão do contexto e o acolhimento qualificado podem fazer toda a diferença na vida dessas mulheres, ajudando a romper o ciclo de violência e a evitar desfechos fatais”.

Antes de sua implementação em outras unidades da Atenção Básica, a Clara IA foi testada em um projeto-piloto no Distrito Sanitário I, que envolveu três Unidades de Saúde da Família: Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar, além de uma equipe E-Multi. Ao todo, 62 profissionais foram capacitados para identificar e acolher possíveis vítimas.

A partir deste mês de março, a iniciativa será ampliada para mais 21 unidades de saúde, totalizando 541 profissionais treinados para atender mulheres em situação de violência, entre eles médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários de saúde.

Recursos Adicionais para Profissionais da Saúde

Com a Clara IA emitindo alertas no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC e-SUS), os profissionais da Atenção Básica, que incluem as Unidades de Saúde da Família (USFs) e Unidades Básicas Tradicionais (UBTs), agora têm à disposição ferramentas técnicas para conduzir um atendimento mais qualificado.

Um desses recursos é o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, um material que oferece orientações detalhadas sobre sinais clínicos, psicossomáticos e sociais que podem indicar violência, mesmo quando não verbalizados pela mulher. O guia, que contém 45 páginas, organiza também os fluxos da Rede de Atenção à Saúde do Recife, detalhando os serviços disponíveis tanto na atenção básica quanto na especializada.

Conectando a Rede de Saúde

O guia abrange ainda orientações sobre notificação compulsória, incluindo instruções para o correto preenchimento da ficha de notificação de violência interpessoal e autoprovocada. Este material está disponível digitalmente na biblioteca virtual da Escola de Saúde Pública do Recife e também no sistema de prontuário eletrônico PEC e-SUS.

Além do guia, os profissionais contarão com suporte por meio de teleconsultorias da Saúde Digital do Recife. Através do Conecta Zap (81 99117-1407) ou pelo telefone (81) 3355-7420, será possível esclarecer dúvidas com médicos e enfermeiros capacitados sobre o manejo de casos suspeitos.

Com a introdução da Clara IA e das novas ferramentas de apoio ao cuidado, Recife se posiciona firmemente no combate à violência contra a mulher, promovendo inovação, capacitação dos profissionais e integração da rede de proteção, buscando salvar vidas, interromper ciclos de violência e garantir um atendimento cada vez mais humano, seguro e eficaz às mulheres da cidade.

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