Descontentamento com a gestão urbana no Recife
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) não poupou críticas ao ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), após os transtornos causados pelas chuvas na Região Metropolitana, ocorridos nesta terça-feira (7). A situação de alagamentos e dificuldades no escoamento das águas, que afligem os moradores, foram alvo de sua insatisfação em publicações nas redes sociais.
Segundo o parlamentar, que enfrentou atrasos em seu voo para Brasília enquanto acompanhava os desdobramentos da situação, os problemas enfrentados durante o período chuvoso são uma evidência das falhas persistentes na gestão urbana da capital pernambucana. “O que a gente vê não é surpresa. A chuva vem todo ano. O que falta é planejamento, investimento e compromisso com a população”, afirmou.
Movimentações políticas e distanciamento
A declaração de Eduardo da Fonte surge em um contexto de reorganização das alianças políticas em Pernambuco. João Campos, ao deixar a prefeitura do Recife para disputar o governo do Estado, visava contar com o apoio de Eduardo, que parecia ser sua escolha para a candidatura ao Senado em sua chapa.
No entanto, uma reviravolta ocorreu: a majoritária acabou sendo alinhada com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), que, por sua vez, haviam se aproximado da governadora Raquel Lyra (PSD) para fortalecer sua campanha. Silvio Costa Filho (Republicanos), também alinhado a Raquel, decidiu concorrer à Câmara Federal, enquanto Carlos Costa, seu irmão, foi indicado como vice na chapa de João Campos.
Esse cenário provoca uma mudança significativa nas relações políticas, especialmente quando Raquel Lyra decidiu exonerar os indicados de Eduardo da Fonte do governo. Nomes como Plínio Pimentel (Lafepe), Bruno Rodrigues (Ceasa) e Paulo Nery (Porto do Recife) deixaram suas posições, evidenciando um distanciamento do PP na gestão atual.
Reaproximação com Raquel Lyra?
Nos bastidores, conversas sugerem que essa movimentação de Eduardo da Fonte, frequentemente chamado de Dudu na política, pode estar sinalizando um distanciamento em relação a João Campos, enquanto abre espaço para uma possível reaproximação com Raquel Lyra. No último dia 30, Lula da Fonte (PP), seu filho, fez um gesto que reforça essa tese ao desmentir rumores de uma aliança com João Campos, classificando essas informações como falsas.
Além disso, ele deixou claro que o Progressistas pretende seguir como aliado da governadora Raquel Lyra, afirmando: “O outro lado está desesperado da lapada que eles vão levar da senhora em outubro”. Essa declaração acentua ainda mais a percepção de um realinhamento político no Estado.
A importância de Eduardo da Fonte no cenário político
Eduardo da Fonte ocupa um papel decisivo na política pernambucana. Ele lidera a Federação União Progressista, que possui a maior bancada tanto na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) quanto na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Essa força política é crucial, pois a inclusão dos partidos na composição da chapa pode garantir ao candidato ao governo maior tempo de exposição em rádio e televisão, essencial para a propaganda eleitoral.
No caso de João Campos, além de contar com seu partido, o PSB, ele também se beneficia da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV). Se a Federação União Progressistas se aliar a Campos, a necessidade de Raquel Lyra em compor com o PL se torna evidente, uma vez que isso garantirá tempo suficiente para que suas propostas e realizações sejam divulgadas adequadamente.
