domingo 7 de junho

Casos e impacto da febre amarela em São Paulo

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou a morte de um homem de 54 anos por febre amarela em Lençóis Paulista. A vítima não estava vacinada, segundo informações divulgadas em 1º de junho. Com essa confirmação, o estado registra 10 casos da doença neste ano, com seis óbitos em decorrência das complicações da infecção.

A maioria dos casos está concentrada na região do Vale do Paraíba, que contabiliza cinco ocorrências e quatro mortes em Lagoinha, além de um caso fatal em Cunha e dois casos sem óbito em Cruzeiro. Outro caso foi confirmado em Araçariguama, na Região Metropolitana de São Paulo. Em todos os registros, os pacientes não tinham histórico de vacinação contra a febre amarela.

Medidas de enfrentamento em Lençóis Paulista

Após a confirmação do óbito, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, enviou uma equipe a Lençóis Paulista para avaliar a situação epidemiológica e definir estratégias de controle. A principal ação adotada foi o reforço na vacinação, considerada a forma mais eficaz de prevenção contra a febre amarela.

Apesar do feriado de Corpus Christi, a Prefeitura iniciou um mutirão de vacinação a partir do dia 4 de junho no Ambulatório de Especialidades do Centro. No dia seguinte, a imunização foi realizada nas Estratégias de Saúde da Família (ESFs) do Jardim Monte Azul, Núcleo Luiz Zillo e na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Ubirama. No sábado, a maioria das unidades permaneceu aberta das 7h às 13h, exceto a UBS da Cecap.

O secretário de Saúde, Murilo Pavanello, reforçou o convite à população para que compareça às unidades: “Iniciamos esse trabalho especial de imunização e seguiremos focados nisso nos próximos dias. Além da vacina contra a febre amarela, estamos disponibilizando outras doses do calendário nacional”.

Orientações para vacinação e esquema de imunização

Para receber a vacina, é necessário apresentar documento com foto e o Cartão Cidadão municipal. Quem tiver a caderneta de vacinação deve levá-la para que as equipes possam verificar a situação vacinal e aplicar outras doses do Programa Nacional de Imunizações (PNI), conforme necessário.

A vacinação contra a febre amarela é feita em duas doses para crianças menores de cinco anos — aos nove meses e aos quatro anos — e em dose única para pessoas a partir dos cinco anos. Recentemente, a vacinação foi ampliada para crianças entre seis e oito meses, buscando ampliar a proteção em áreas recomendadas para a imunização.

Não é necessário reforço para quem já completou o esquema vacinal, mas quem ainda não foi vacinado ou tem esquema incompleto deve procurar uma unidade de saúde o quanto antes. Grupos específicos, como idosos e gestantes, precisam passar por avaliação médica antes da vacinação.

Ações complementares de prevenção em Alfredo Guedes

Além do reforço vacinal, a Vigilância Epidemiológica de Lençóis Paulista adotou medidas para controlar os mosquitos transmissores da febre amarela. A doença é transmitida por mosquitos infectados, principalmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ciclo silvestre. No ciclo urbano, a transmissão pode ocorrer pelo Aedes aegypti, embora não haja registros desde 1942.

Seguindo orientações da Secretaria Estadual da Saúde, a Vigilância local aplicou na sexta-feira (5) a técnica BRI-Aedes (Borrifação Residual Intradomiciliar para Aedes) em Alfredo Guedes, provável local de infecção. A técnica consiste na aplicação de inseticida de ação residual em superfícies onde os mosquitos pousam, criando uma barreira química que elimina mosquitos adultos por um período prolongado. A ação foi focada em locais de grande circulação, como unidades de saúde, escolas e igrejas.

Uma nova etapa da operação está prevista para a segunda-feira (8), quando equipes do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE), do Instituto Pasteur e da Vigilância local realizarão análises de campo para aprofundar o conhecimento sobre a circulação viral e apoiar ações preventivas na região.

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