domingo 5 de julho

Lucas Pinheiro Braathen e o dilema entre Brasil e Noruega

O confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo gerou uma situação inusitada para Lucas Pinheiro Braathen, atleta de esqui alpino que fez história ao conquistar a medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina. Apesar de ser nascido em Oslo e capitão da seleção norueguesa na modalidade, Lucas, que possui dupla nacionalidade, declarou que sua torcida será para a equipe comandada por Carlo Ancelotti.

Em entrevista à GQ Brasil, ele afirmou: “Fico feliz em ver a Noruega em uma Copa do Mundo depois de 28 anos sem jogar, mas meu coração é verde e amarelo no domingo. Eu escolhi ser brasileiro. O Brasil representa minhas raízes, minha família e uma parte essencial da minha identidade”.

Raízes brasileiras e paixão pelo esporte

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas cresceu entre a Noruega e o interior de São Paulo, onde mora parte da família materna. Essa ligação com o Brasil não é apenas geográfica, mas também cultural e afetiva. “Eu cresci meu amor pelo esporte aqui no Brasil, jogando futebol na rua de São Paulo”, revelou em entrevista à CNN em maio de 2024.

O futebol foi a porta de entrada para sua paixão esportiva, com ídolos como Ronaldinho, Ronaldo e Neymar que iam além das habilidades técnicas, representando histórias que inspiraram Lucas a buscar um caminho único no esporte. “Eu queria escrever uma história maior do que o esporte que eu praticava. Sempre vai surgir um novo esquiador da Noruega. Mas não é sempre que surge um esquiador do Brasil”.

Trajetória e a mudança de bandeira

Antes de defender o Brasil, Lucas já era destaque no circuito mundial, tendo conquistado a Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23 representando a Noruega, uma potência no esqui alpino. Em 2023, ele anunciou uma aposentadoria precoce após desentendimentos com a federação norueguesa sobre autonomia e direitos de imagem.

Meses depois, surpreendeu ao retornar ao circuito, mas agora com a bandeira do Brasil. A decisão foi tanto estratégica, buscando maior liberdade para gerir sua carreira, quanto simbólica, ao abrir caminho para um esporte pouco popular no país. “Trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno é importante. Eu quero ser uma inspiração. Não importa de onde você é. Não existem limitações, só oportunidades”, destacou.

Repercussão e legado para o esporte brasileiro

A mudança causou opiniões divididas na Noruega, com parte do público lamentando a saída e outra reconhecendo a coragem do esquiador. No Brasil, a recepção foi calorosa, ainda que o esqui alpino seja uma modalidade pouco conhecida localmente.

Lucas reconhece o peso histórico de sua trajetória. O Brasil nunca havia conquistado medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno, e ele sabia da responsabilidade ao carregar a bandeira verde e amarela no peito. “Eu não voltei para esse esporte para participar. Eu adoro o gosto do ouro”, afirmou, reforçando sua ambição e comprometimento.

Sobre o jogo do próximo domingo, o atleta preferiu não arriscar um placar, mas apostou na classificação brasileira: “Vai dar Brasil”.

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