sábado 11 de abril

Menino de 8 anos falece com suspeita de meningite

No Recife, um trágico episódio envolvendo a morte de um menino de 8 anos, suspeito de ter contraído meningite bacteriana, levanta alarmantes preocupações sobre a qualidade do atendimento médico. Benjamin Leite Costa começou a apresentar sintomas durante uma viagem a Gravatá, no Agreste pernambucano, e, segundo relatos de sua família, foi atendido em três unidades de saúde antes de falecer na terça-feira, 7 de abril, no Hospital Geral de Areias, localizado na Zona Oeste da capital.

De acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o caso está sob investigação. Em entrevista ao g1, Adejair Pereira da Costa, pai da criança, lamentou que a equipe médica não conseguiu identificar a doença de imediato. O diagnóstico de meningite apenas foi registrado na autópsia, após a análise realizada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO).

A situação se agravou menos de 24 horas após Benjamin ser internado, quando ele reagiu a um medicamento e precisou ser entubado. A família alega que houve negligência por parte da equipe médica, que, segundo eles, não soube explicar a causa da morte. “Disseram que meu filho havia falecido de morte natural, mas não sabiam a causa. Quando fui ao SVO, a assistente social comentou que o caso deveria ser encaminhado ao IML devido à suspeita de negligência”, revelou Adejair.

O início dos sintomas e a busca por atendimento

Benjamin começou a apresentar vômitos e dor de cabeça na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril. Na mesma data, ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravatá, onde recebeu dipirona e medicação para náuseas, sendo liberado após as primeiras avaliações.

Após uma leve melhora, na noite do dia 4, os sintomas retornaram e, ainda em tratamento, a família voltou para casa em Paulista, Grande Recife. “Chegamos em casa e ele estava estável, mas no dia seguinte, os vômitos e febre voltaram. A situação se agravou na segunda-feira, quando decidimos levá-lo novamente à UPA de Jardim Paulista”, comentou o pai.

Atendimento inadequado

No novo atendimento, a equipe médica prescreveu novamente dipirona e, conforme Adejair, não foram realizados exames, mesmo após a família informar que era o terceiro dia com os mesmos sintomas. “Recebemos alta sem que coletassem sangue ou realizassem qualquer exame mais aprofundado”, contou.

Na noite de segunda-feira, 6 de abril, a mãe do menino notou manchas vermelhas no braço do filho e decidiram levá-lo ao Hospital da Criança, em Areias. Contudo, de acordo com Adejair, ele não pôde acompanhar o filho na entrada, pois a unidade não possui serviço de emergência. “Fui orientado a levar para o Hospital Geral de Areias, onde finalmente ele foi atendido”, relatou.

A Secretaria de Saúde do Recife esclareceu que o Hospital da Criança atende apenas pacientes encaminhados por outras unidades e que nunca houve recusa de atendimento.

Dificuldades no tratamento e desfecho trágico

No Hospital Geral de Areias, Benjamin permaneceu em uma enfermaria com outras crianças. Foram realizadas três coletas de sangue, mas, segundo o pai, os resultados foram inconclusivos. “Os médicos descartaram dengue, mas não souberam informar qual bactéria poderia estar afetando meu filho”, lamentou.

Após a administração de um antibiótico, Benjamin teve uma reação adversa e, conforme relato da família, foi transferido para uma UTI improvisada. “O quadro dele piorou rapidamente. Ele foi informado de que havia conseguido um leito no Hospital Oswaldo Cruz, mas a ambulância só chegou horas depois. Meu filho não conseguiu nem sair da UTI improvisada antes de falecer. Era um garoto cheio de vida”, desabafou Adejair.

Implications da morte e resposta das autoridades

Após a morte de Benjamin, a família comunicou a escola onde ele estudava. A instituição, Aquarela Colégio e Curso, suspendeu as aulas como medida preventiva e notificou a Secretaria de Saúde. A SES confirmou que o caso está sendo investigado e que medidas como notificação e monitoramento de contatos estão sendo tomadas.

A Secretaria de Saúde de Paulista também informou que agiu conforme as diretrizes do Ministério da Saúde e que a quimioprofilaxia é avaliada caso a caso, ressaltando que não seria necessário fechar escolas em decorrência de casos suspeitos.

Este caso trágico expõe preocupações sobre o atendimento médico e destaca a importância de protocolos eficazes em situações de emergência, especialmente em casos de doenças sérias como meningite bacteriana.

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