sexta-feira 6 de fevereiro

Microplásticos e a Saúde das Aves

Pesquisas recentes revelam a presença de microplásticos em produtos avícolas, como carne de frango e ovos. Alexey Tretyakov, vice-diretor do VGNKI, um instituto de pesquisa veterinária da Rússia, destaca que esses materiais já entraram na cadeia alimentar das aves, o que suscita sérias preocupações sobre seus efeitos na saúde animal e na segurança alimentar.

De acordo com Tretyakov, um crescente número de estudos científicos sugere que os microplásticos podem impactar negativamente tanto a saúde quanto a produtividade das aves. Essas pesquisas indicam que esses materiais podem causar danos ao sistema digestivo das aves, além de estarem associados ao desenvolvimento de condições neurodegenerativas e lesões cerebrais.

Vínculo com Doenças Hepáticas

Resultados obtidos pelo VGNKI também revelaram uma conexão entre a presença de microplásticos e o surgimento da doença hepática gordurosa em aves, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado. Essa condição pode resultar em fraqueza, perda de peso, letargia e uma significativa queda no desempenho produtivo das aves. Segundo Tretyakov, a contaminação por microplásticos é frequentemente subestimada, mesmo representando um risco potencial tanto para a saúde animal quanto para os consumidores.

A pesquisa revelou vestígios de microplásticos não apenas na carne de frango, mas também nos ovos. O vice-diretor do VGNKI ressalta que as concentrações encontradas não foram artificialmente elevadas, mas sim baseadas em níveis já registrados na literatura científica, o que torna os achados ainda mais relevantes para a produção avícola atual.

Um Problema em Crescimento

A crescente preocupação com os microplásticos decorre do fato de que esses materiais não se degradam completamente no ambiente. Eles se fragmentam em partículas microscópicas que podem interagir com organismos vivos. Inicialmente, o foco do debate estava na poluição dos oceanos e seu impacto na aquicultura, mas evidências recentes indicam que a agricultura terrestre, inclusive a avicultura, também está sendo afetada.

Tretyakov aponta que os microplásticos têm a capacidade de atravessar barreiras intercelulares e atuar como transportadores de substâncias químicas e poluentes, ampliando os riscos à saúde das aves. Uma das características mais alarmantes dessa contaminação é sua capacidade de penetrar no organismo de maneira silenciosa, dificultando a detecção precoce dos problemas associados.

Estudos Anteriores e a Necessidade de Investigação

Não é a primeira vez que cientistas expressam preocupações sobre os impactos dos microplásticos na indústria avícola. Pesquisas anteriores já associaram a exposição a esses materiais — seja por ingestão, inalação ou contato dérmico — a atrasos no crescimento, enfraquecimento do sistema imunológico, redução da fertilidade e danos aos tecidos das aves. Esses efeitos têm consequências diretas sobre o bem-estar animal e a sustentabilidade da produção avícola.

Frente a essa realidade alarmante, os pesquisadores russos planejam aprofundar os estudos sobre a contaminação por microplásticos na avicultura. Os próximos passos envolverão a identificação das principais fontes desses materiais ao longo da cadeia produtiva e a avaliação de estratégias práticas para minimizar a exposição, como ajustes na formulação das rações, na escolha dos materiais utilizados nos sistemas de alojamento e o fortalecimento das práticas de biossegurança.

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