sábado 11 de abril

Inovação Logística no Agronegócio

É surpreendente pensar que o melão cultivado no Rio Grande do Norte está influenciando a logística de exportação de frutas em Petrolina, levando a um aumento na movimentação pelo Porto do Pecém, no Ceará. Esse cenário é possível graças ao compartilhamento de cargas entre produtores, que, ao combinar exportações de manga e uva com o melão, conseguem reduzir significativamente os custos de transporte marítimo. A proposta central do Pacto pelo Agro é exatamente essa: otimizar rotas e gastos, revolucionando a realidade do agronegócio na região e no Porto de Suape.

Na última sexta-feira (10), um evento promovido pela Amcham e pelo Porto de Suape discutiu essa iniciativa que, desde seu início em setembro de 2025, tem alterado a percepção sobre a função de Suape. Historicamente reconhecido por sua atuação na indústria pesada, o complexo portuário agora busca se firmar como uma vital plataforma logística para o agronegócio.

Setores em Conexão

Durante o evento, representantes de várias esferas do agronegócio, incluindo pecuária, fruticultura e avicultura, debateram a importância de novas rotas marítimas, ainda que cada setor esteja em diferentes fases de desenvolvimento dentro do pacto. A pecuária, por exemplo, é o segmento mais avançado nas exportações a partir de Suape. Márcio Rodrigues, da Masterboi, destacou que a empresa já escoa sua produção de Canhotinho para mercados em Hong Kong, Singapura e na África desde 2023. Com um novo túnel frigorífico a ser inaugurado neste semestre, a expectativa é de triplicar a capacidade de abate e aumentar a oferta para exportação.

No entanto, o setor de ovos ainda está no início de sua jornada internacional. Nos últimos meses, três empresas pernambucanas realizaram sua primeira exportação, um marco impulsionado pelo pacto. Com um crescimento médio anual de 10%, o segmento, que atualmente exporta apenas 1% da sua produção, está ciente de que a abertura de novos mercados é uma necessidade urgente, não apenas uma oportunidade.

Desafios e Oportunidades

Leonardo Barros, da Enavis, expressou otimismo, ressaltando que a experiência inicial animou os empresários, que agora buscam expandir suas operações. Para isso, a habilitação de empresas e a conquista de novos mercados são essenciais. Com esse primeiro avanço, Pernambuco e Suape estão se colocando na vanguarda dessa transformação.

No campo da fruticultura, a situação é inversa: embora o setor já tenha acesso ao mercado internacional, não utiliza o Porto de Suape para suas exportações, preferindo rotas por Salvador e Pecém. Cristino Leite, produtor e representante de Suape no Vale do São Francisco, enfatiza que encontrar novas rotas para as diferentes cadeias produtivas é um dos principais objetivos do pacto.

Bruno César Brito, da Agemar, comentou sobre a disponibilidade de áreas em Suape para a expansão da silagem, destacando o terminal de grãos operado pela empresa. Ele também mencionou a necessidade de atrair cargas do Centro-Oeste e do Matopiba para Suape, considerando que o Brasil enfrenta um déficit de armazenagem superior a 40% de sua produção, o que corresponde a aproximadamente 100 milhões de toneladas.

Um levantamento realizado pela Agemar revelou que cerca de 1,8 milhão de toneladas de soja da Bahia são embarcadas pelo porto de Itaqui (MA), em uma rota que passa próxima a Pernambuco. Captar essa carga para Suape representa um desafio viável, segundo a análise da empresa.

Inteligência Marítima e Colaborações Futuras

A concorrência com a TLSA, que busca direcionar grãos do Matopiba para o Pecém através da Transnordestina, foi abordada por Bruno, que acredita que uma estação de transbordo em Pernambuco pode redirecionar parte desse fluxo para Suape. O evento evidenciou que, ao eliminar distâncias e incrementar a comunicação entre os setores, a logística do agronegócio pernambucano está a caminho de uma transformação significativa.

Como salientou Armando Monteiro Bisneto, presidente de Suape, “não podemos nos isolar em nosso porto; é crucial direcionar nosso olhar para o interior e fomentar conexões que mudem essa dinâmica.”

Durante o evento, foram discutidos outros assuntos relevantes, incluindo um contrato firmado entre Suape e a Solve Shipping, focado em inteligência marítima para identificar novas rotas para o porto. Este movimento é parte de um esforço maior para otimizar a logística do agronegócio.

Além disso, estudos estão sendo realizados para uma possível parceria entre a ZPE pública de Pernambuco e a ZPE municipal de Jaboatão, visando sinergias que possam melhorar as operações entre os dois projetos, dada a proximidade geográfica.

Eventos e Prêmios

O Conselho Regional de Contabilidade de Pernambuco (CRCPE) anunciou a realização da Premiação Caduceu 2026, marcando a posse da diretoria eleita para o biênio 2026/2027. A cerimônia está programada para 15 de abril, no Instituto Ricardo Brennand, em um marco que celebra os 80 anos do Conselho.

Por outro lado, a Oculum recebeu o Selo de Excelência em Franchising 2026 da Associação Brasileira de Franchising (ABF), destacando sua trajetória de sucesso com 26 anos no mercado, 48 lojas espalhadas por 19 estados e um faturamento de R$ 180 milhões, representando um crescimento de 9,7% em relação ao ano anterior.

Finalmente, a Ativos Precatórios, uma empresa especializada em precatórios e tecnologia, inaugurou uma nova sede em Recife. A localização é no Empresarial ITC, na Avenida Antônio de Góes, um passo significativo para a expansão da empresa.

Por último, a Meia Maratona Coop, após ter feito sucesso em Maceió, agora chega ao Recife. A programação inclui categorias como Kids, caminhada e percursos de 6 km, 12 km e 21 km, com largada marcada para o Forte do Brum nos dias 28 e 29 de novembro.

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