Transformação Tecnológica no Cinema
Com a aproximação da cerimônia do Oscar, a expectativa em Recife cresce a cada dia. No filme “O Agente Secreto”, a cidade ganha um papel de destaque, tornando-se quase um personagem diante da tela. Em uma das cenas, um tubarão-tigre, que saiu da vida real, agora faz parte da narrativa cinematográfica.
Após as gravações, essa impressionante réplica do tubarão foi doada a uma universidade federal, onde se tornou uma nova atração para os visitantes. “Quando foi liberado para exposição, todos do laboratório queriam ver e tirar fotos. Foi um verdadeiro ‘auê’, algo muito bacana”, comenta Mari Rêgo, pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Estudos Aquáticos (NEA) da UFRPE.
O longa-metragem é ambientado em diversos locais emblemáticos do Recife, como o Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano e o Cinema São Luiz, onde a atriz Mariza Moreira fez uma participação especial. “Eu olhava meu sapato, o cigarro, as vitrines, e misturava memórias com o que via agora”, relembra a atriz sobre a experiência.
A Cidade como Palco e Protagonista
Para o diretor Kleber Mendonça Filho, o Recife é uma cidade universal. “O Recife está no Oscar da mesma forma que durante anos eu assisti a filmes em Paris ou Nova York. Agora, um filme feito em Recife está sendo visto mundialmente”, destaca ele.
Não é apenas um cenário; o Recife é personagem central de “O Agente Secreto”. A produção, que recebeu indicações a quatro categorias no Oscar, exige que diversos locais da cidade retrocedam no tempo, recriando a atmosfera do final da década de 1970. Para isso, a equipe de efeitos visuais, ou VFX, teve um papel fundamental.
“Muitos detalhes foram recriados digitalmente. Pesquisas iconográficas sobre fotos e vídeos foram essenciais. Eu organizava esse material e enviava para a equipe de VFX, que tinha a base necessária para construir cenários virtuais e adicionar placas antigas”, explica André Pinto, supervisor de efeitos visuais do filme.
O Futuro do Cinema e a Visibilidade da Cidade
Essa viagem ao passado trouxe novas perspectivas para o Recife, evidenciando que o futuro do cinema já chegou à cidade. “É incrível como ‘O Agente Secreto’ traz visibilidade ao Recife e prova que o cinema não precisa ser feito apenas em grandes centros. Muitos perguntam se o filme vai ganhar o Oscar, mas, para mim, ele já venceu! O reconhecimento que o filme tem é o verdadeiro prêmio”, conclui Alexandre Figueiroa, crítico e professor de cinema.
