Coalizões em Construção e a Redução de Candidaturas em São Paulo
O PSDB, em parceria com o Cidadania, iniciou negociações com partidos considerados menos inclinados a apoiar os principais candidatos Tarcísio e Haddad, como Podemos, Avante e a Federação Solidariedade-PRD. José Serra, ex-governador, busca conquistar ao menos dois desses partidos para viabilizar sua candidatura. Em diálogo com o deputado Kim Kataguiri, Serra avaliou a possibilidade de um projeto conjunto, condicionando sua participação à obtenção de pelo menos 8% nas intenções de voto, conforme declarações em entrevistas recentes.
Tarcísio de Freitas, que chegou ao governo de São Paulo com o apoio do PSD e do PL, ampliou sua influência política estadual. Em 2024, apoiou a tentativa de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), consolidando o compromisso do PSD, partido que historicamente já contou com figuras como Orestes Quércia, Paulo Skaf e Luiz Antônio Fleury, com o atual governo. Essa resistência do PSD é apontada como um dos fatores que causaram o afastamento formal do ex-presidente Lula, apesar da oposição de uma ala do governo.
Articulações do PP e o Papel do União Brasil no Tabuleiro Estadual
O Partido Progressista (PP), herdeiro do legado político conhecido como “malufismo” em São Paulo, fechou acordo com Tarcísio a partir da candidatura de Guilherme Derrite ao Senado. Derrite, deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública, traz o União Brasil para as negociações, com Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, como principal articulador político no estado.
Essas articulações ocorrem em meio à expectativa de que Tarcísio poderia enfrentar o ex-presidente Lula na eleição presidencial, cenário que gerou um vácuo político na disputa estadual. O governador acabou preterido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que decidiu apoiar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Essa indefinição, segundo aliados, contribuiu para a ampliação da chapa governista, já que partidos se mostraram reticentes em lançar candidatos próprios até o início deste ano.
PSD e a Disputa Interna pela Vice-Governança
A maior ameaça à hegemonia de Tarcísio reside no PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, que conseguiu aglutinar uma significativa quantidade de prefeitos, mas perdeu o posto de vice-governador após a saída de Felício Ramuth para o MDB, motivada por divergências internas. Kassab, entretanto, não demonstra disposição para romper com Tarcísio e afirmou ao GLOBO que a redução no número de candidatos ao Executivo é uma tendência nacional, resultado da proibição de coligações proporcionais e da cláusula de barreira.
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“Isso vai acontecer muito daqui pra frente, devido à redução do número de partidos, resultado da proibição de coligação proporcional e da cláusula de barreira. Em São Paulo, o mérito é do Tarcísio, que fez um bom governo e atraiu os partidos. Além disso, as campanhas estão mais austeras, tem menos dinheiro, ninguém lança candidato para jogar dinheiro fora”, declarou Kassab.
Conflitos e Estratégias no Senado e o Papel do Novo
No âmbito do Senado, Tarcísio não conseguiu unificar seu grupo político em torno de apenas dois candidatos. Além de Guilherme Derrite, André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa, concorre com o apoio de Eduardo Bolsonaro, mas enfrenta resistência interna. O deputado federal Ricardo Salles (Novo) tenta conquistar o eleitorado bolsonarista com a crítica de que Prado mantém proximidade histórica com Valdemar Costa Neto, líder do PL e figura central do “Centrão”.
Fernando Meira, presidente estadual do Novo, ressaltou que o apoio ao governo de Tarcísio não implica necessariamente em coligação, mantendo a possibilidade de candidatura independente de Salles. Ele também destacou que a ausência de um candidato do Novo ao governo paulista facilita a eleição de deputados estaduais, pois compartilham dos valores defendidos pelo atual governador.
“Ele tem feito um governo muito positivo, atuando de forma correta. Por meritocracia, apoiamos”, afirmou Meira, que evitou comentar sobre possíveis ataques entre Tarcísio e Salles. “O Tarcísio tem apreço pelo Salles. Os dois se dão bem.”
União Progressista do PT e PSB e a Articulação em São Paulo
O Partido dos Trabalhadores (PT), liderado pelo presidente Lula, também busca ampliar sua base no estado com o PSB, que mantém o vice-presidente Geraldo Alckmin ao lado de Lula no plano nacional. O PSB, que chegou ao segundo turno nas eleições paulistas de 2018 com Márcio França, segue influente e tenta posicionar França como candidato ao Senado, estratégia que demanda habilidade política de Fernando Haddad.
PSOL e Rede, federados na eleição, apoiam a candidatura de Marina Silva ao lado de Simone Tebet, que migrou do MDB para o PSB para disputar o governo paulista. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), ex-candidato a prefeito de São Paulo, foi nomeado coordenador da campanha de Lula, atuando como ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Desafios da Unidade Progressista e o Cenário dos Partidos Nanicos
Uma resolução do PSOL aprovada em abril na executiva estadual indicou que Haddad é o candidato mais viável para derrotar “o bolsonarista Tarcísio de Freitas” e defende uma unidade coerente do campo progressista. Contudo, a exigência do PT por alianças com setores liberais para fortalecer a candidatura de Haddad gera descontentamento interno no PSOL.
Considerando o número de candidatos oriundos dos chamados “partidos nanicos”, que não possuem direito a tempo gratuito de propaganda eleitoral, a disputa ao governo paulista pode ser uma das mais concentradas desde a redemocratização. Eleições anteriores registraram oito candidatos em 1990 e nove em 2010, antes de desistências ou eliminações judiciais.
O pleito foi decidido em primeiro turno em três ocasiões, com José Serra em 2006 e Geraldo Alckmin em 2010 e 2014, todas em contextos de mandatos de continuidade do PSDB, que governou o estado por 28 anos consecutivos. Nessas eleições, o PSDB enfrentou partidos historicamente competitivos, como MDB, PSB, PP e PT.
