quarta-feira 4 de março

Recife Lidera o Ranking de Obesidade no Brasil

Os dados mais recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) revelam um cenário preocupante em relação à obesidade nas capitais brasileiras. Segundo informações obtidas pelo GLOBO, 36,3% dos adultos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 apresentavam obesidade, enquanto 70,9% estavam acima do peso. A pesquisa Vigitel, que se concentra nas capitais do país, indica que Recife, em Pernambuco, ocupa a primeira posição no ranking, com alarmantes 47,17% da população adulta diagnosticada com obesidade. Quando se considera o sobrepeso, esse número salta para 77,44%.

No segundo lugar, Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, apresenta taxas de 44,11% de obesidade e 74,9% de sobrepeso. Outros dados relevantes incluem Natal, com 44,01% de obesidade, e Belo Horizonte, com 43,69%.

Taxas de Obesidade nas Capitais Brasileiras

O levantamento do Sisvan também aponta que Palmas, no Tocantins, é a capital com a menor taxa de obesidade, com apenas 29,31% da população adulta afetada. No entanto, ao incluir o sobrepeso, esse percentual sobe para 64,77%. Em seguida, está São Luís, no Maranhão, onde 30,35% dos adultos são obesos.

Capital Taxa de Obesidade Obesidade + Sobrepeso
Recife 47,17% 77,44%
Porto Alegre 44,11% 74,90%
Natal 44,01% 77,34%
Belo Horizonte 43,69% 74,16%
São Luís 30,35% 68,03%
Palmas 29,31% 64,77%

Causas da Alta Taxa de Obesidade

Especialistas consultados pelo GLOBO ressaltam que a obesidade é uma condição multifatorial, caracterizada por diversos fatores que contribuem para seu aumento no Brasil. Entre as principais causas, destaca-se a crescente presença de ultraprocessados na dieta da população. Maria Laura Louzada, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que a situação é resultado de uma mudança no padrão alimentar, com uma notável redução no consumo de alimentos frescos e um aumento considerável na ingestão de produtos ultraprocessados, como snacks e refeições prontas.

Os ultraprocessados, que passam por diversas etapas de processamento industrial, são frequentemente ricos em calorias e pobres em nutrientes, contribuindo para o ganho de peso e dificultando a saciedade. A pesquisa Vigitel indica que o hábito de consumir feijão pelo menos cinco vezes na semana caiu de 66,8% em 2007 para apenas 56,4% em 2024, enquanto 25,5% dos brasileiros relatam ingerir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados diariamente.

Atividade Física e Estilo de Vida

Um dado alarmante revelado pela Vigitel é que menos da metade da população (42,3%) se dedica a atividades físicas durante o lazer, e menos de 12% se exercitam durante o deslocamento para o trabalho ou escola. Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), enfatiza que a obesidade não é apenas uma questão de hábitos individuais, mas também de um estilo de vida moderno que favorece sua ocorrência. Apesar de algumas melhorias na prática de atividades físicas, as políticas públicas de prevenção ainda são consideradas insuficientes.

Fábio Trujilho, presidente da Abeso, destaca que a privação do sono também impacta o aumento da obesidade, elevando a resistência à insulina e desregulando os hormônios da fome e saciedade. A Vigitel revela que 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam sintomas de insônia.

A Necessidade de Mudanças Estruturais

Os especialistas concordam que a abordagem para lidar com a obesidade deve ser coletiva e não apenas focada no indivíduo. Além de promover um estilo de vida saudável, é fundamental que o poder público implemente medidas efetivas que incentivem o consumo de alimentos saudáveis e desencorajem os ultraprocessados. A recente aprovação da taxação de refrigerantes pelo Congresso Nacional é um passo nessa direção, uma vez que experiências internacionais mostram que impostos sobre produtos não saudáveis podem reduzir seu consumo.

A discussão sobre o tratamento da obesidade também deve envolve a formação de equipes de saúde multidisciplinares, que considerem as particularidades de cada paciente e ofereçam um tratamento mais acolhedor. Trujilho reforça que muitos profissionais ainda não estão preparados para lidar com a responsabilidade e a complexidade dessa condição, muitas vezes culpabilizando os pacientes ao invés de compreender suas realidades.

Com a crescente demanda por tratamentos farmacológicos, a ampliação do acesso a medicamentos eficazes para o tratamento da obesidade se torna imprescindível. O foco deve ser em políticas que tornem as opções de tratamento mais acessíveis, considerando que atualmente o custo pode chegar a quase R$ 2 mil por mês.

Exit mobile version