segunda-feira 9 de fevereiro

O Potencial Turístico do Sertão alagoano

O turismo no Sertão alagoano, impulsionado pelas paisagens do Velho Chico e pelos atrativos culturais locais, requer ações integradas do setor público em diferentes níveis. Para que essas cidades sejam reconhecidas no mercado nacional, é necessário mais do que belezas naturais; a estrutura, o planejamento e a presença estratégica são fundamentais. Na nova reportagem da série dedicada à interiorização do turismo em Alagoas, o Movimento Econômico revela como a gestão pública está implementando iniciativas para organizar os destinos ribeirinhos do Baixo São Francisco, oferecendo apoio técnico, qualificações e visibilidade em feiras relevantes, além de estabelecer conexões com operadoras de turismo.

Para que um município seja reconhecido como um destino turístico em Alagoas, o primeiro passo é atender a um critério técnico essencial: estar incluído no Mapa do Turismo Brasileiro. Com essa base, a Secretaria de Estado do Turismo de Alagoas (Setur) inicia o mapeamento dos atrativos locais, reconhecendo os desafios e, em colaboração com instâncias de governança regional, desenvolvendo planos de ação focados em infraestrutura, capacitação e criação de novos produtos turísticos.

Investimentos e Estruturas em Desenvolvimento

No Baixo São Francisco, os esforços para interiorizar o turismo já resultaram em investimentos significativos. A Orla de Limoeiro, localizada no povoado de Pão de Açúcar, recebeu R$ 1 milhão em obras de requalificação. Já a Praça da Ilha do Ferro, um dos pontos centrais para reposicionar a cidade turisticamente, foi contemplada com mais de R$ 3 milhões em recursos estaduais. O Paço Imperial, um equipamento cultural atualmente em construção, também faz parte desse conjunto de obras turísticas apoiadas pela Setur.

Outro aspecto crucial é a capacitação da mão de obra local. Em parceria com o Senac e através da Carreta Escola, cursos gratuitos têm sido oferecidos aos municípios, preparando guias, atendentes, cozinheiros e pequenos empreendedores. O objetivo é alinhar a experiência do turista com a rica vocação cultural de cada cidade.

Autonomia Local e Criação de Roteiros Turísticos

Essas iniciativas são fortalecidas por meio de termos de fomento que permitem o repasse de recursos diretamente às regiões turísticas. Esse suporte possibilita que associações locais atuem de forma mais autônoma, organizando feiras, desenvolvendo materiais promocionais e participando de eventos, tudo voltado para a consolidação do turismo regional.

A criação de rotas turísticas também se destaca no planejamento. Por meio de diagnósticos locais, estratégias são traçadas para preparar os produtos para a comercialização, integrando os destinos às operadoras nacionais.

“A estruturação dos destinos emergentes exige planejamento e diálogo com o território. Trabalhamos com as instâncias de governança locais para preparar os municípios, identificar seus diferenciais e conectá-los ao mercado”, enfatizou a Setur em nota à reportagem.

A Feira dos Municípios: Um Marco para o Turismo no Interior

Enquanto a Setur se dedica à estruturação técnica e à promoção dos destinos alagoanos, a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) desempenha um papel fundamental na articulação política e institucional. A AMA ajuda as prefeituras a se prepararem e a aproveitarem as oportunidades do setor turístico. Através de reuniões técnicas, orientações sobre editais e incentivo à troca de experiências entre gestores, a entidade atua como uma ponte entre o poder público municipal e os órgãos estaduais e federais.

Um dos melhores exemplos dessa atuação é a Feira dos Municípios Alagoanos, realizada pela AMA, que se consolidou como uma vitrine do potencial turístico, cultural e gastronômico do interior do estado. Na sua 13ª edição, ocorrida em janeiro no Centro de Convenções, o evento reuniu mais de 140 estandes de cidades e empreendedores locais, além de uma programação cultural rica. A feira gerou um movimento de mais de R$ 2 milhões em vendas diretas entre artesãos e comerciantes.

Com o apoio de parceiros como a Setur, a ABIH e o Sebrae, o evento não se limitou a exposições, incluindo também rodas de conversa, oficinas e apresentações artísticas, ampliando a capacidade de engajamento de gestores, atraindo investimentos e posicionando o interior alagoano no cenário turístico nacional.

“O turismo é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento dos municípios. Quando os gestores reconhecem isso, começam a enxergar o setor como uma política de longo prazo, e não como uma ação pontual”, ressaltou a entidade.

ABIH: Conectando Destinos e Fortalecendo a Hotelaria

Para além da estrutura e da articulação institucional, a inserção dos destinos turísticos do Sertão no mercado nacional requer uma conexão direta com os operadores do setor: agentes de viagem, operadoras, redes hoteleiras e consumidores. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH-AL) tem atuado de forma estratégica nesse contexto, buscando desenvolver a hotelaria no interior do estado.

De acordo com Gabriel Cedrim, presidente da ABIH Alagoas, o fortalecimento desses destinos baseia-se em três pilares: posicionamento, articulação e qualificação da oferta turística. Com esse foco, a ABIH tem desenvolvido projetos voltados para públicos distintos. Um dos destaques é o “Visite Alagoas”, que busca despertar o interesse dos turistas por novos roteiros além do litoral, evidenciando as belezas naturais e as experiências culturais dos municípios do Sertão e do Agreste.

Outro projeto, chamado “Vem com Agente para Alagoas”, é direcionado ao mercado intermediário, incluindo agentes de viagem e operadoras. O objetivo é qualificar a apresentação dos destinos emergentes, garantindo que estejam prontos para comercialização e inserindo-os de forma competitiva nos catálogos e pacotes turísticos.

Essas ações visam ampliar a percepção sobre o interior alagoano, promovendo a interiorização do turismo de maneira planejada e integrada com as vocações locais. Cedrim concluiu, “Nosso compromisso é garantir que o desenvolvimento hoteleiro aconteça em harmonia com as características de cada região, valorizando os diferenciais dos municípios às margens do São Francisco e conectando-os ao mercado de maneira consistente e estratégica”.

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