Decisão da Câmara sobre homenagem a Wagner Moura
Na sessão da terça-feira (11), a Câmara Municipal do Recife aprovou, por 25 votos a favor e 3 contra, a concessão do Título de Cidadão do Recife ao ator, diretor e músico baiano Wagner Moura. A iniciativa, formalizada no Projeto de Decreto Legislativo nº 17/2026 pelo vereador Carlos Muniz (PSB), enfrentou resistência e foi revisada após problemas técnicos e um pedido de vista do vereador Eduardo Moura (Novo) no início do ano.
Argumentos a favor e contra a concessão
Carlos Muniz justificou a homenagem destacando a contribuição de Wagner Moura ao cinema local, especialmente pelo longa-metragem “O Agente Secreto”, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho e ambientado na capital durante os anos 1970. Para o parlamentar, o filme ampliou a projeção internacional do Recife. “Alguém tem um filme que retrata o Recife que se propagou tanto? Claro que não. Esse filme vai ficar no mundo cinematográfico, no mundo todo”, declarou Muniz no plenário.
Por outro lado, a medida suscitou críticas de membros da oposição. Eduardo Moura argumentou que o título deve ser reservado a pessoas com entregas diretas à cidade. “Título para Wagner Moura ou para qualquer pessoa que nunca fez nada pelo Recife. Inclusive disse não a título para padre, pedido por companheiro de partido, porque sou coerente”, afirmou o vereador.
O vereador Gilson Machado Filho (Podemos) também se posicionou contra, ressaltando incoerências políticas do homenageado. “Defende o socialismo, mas mora na Califórnia, usufruindo do melhor que o capitalismo pode trazer para a nossa sociedade. Votei ‘não’ e voto ‘não’ para pessoas incoerentes”, disse durante a sessão.
Histórico e próximos passos
Essa é a segunda tentativa de conceder o título a Wagner Moura. Em 27 de abril, uma proposta anterior foi rejeitada por não alcançar o quórum qualificado, somando 16 dos 23 votos necessários, em meio a falha no painel eletrônico de votação. Após a coleta de assinaturas da maioria absoluta, Carlos Muniz reapresentou a matéria, que chegou a ser adiada no final de junho após novo pedido de vista de Eduardo Moura.
O desfecho dessa votação reforça as tensões políticas em torno da homenagem e aponta para debates futuros sobre critérios para concessão de títulos na capital pernambucana.

