Expectativas desafiadoras para o varejo pernambucano
O Dia das Mães de 2026 está previsto para injetar R$ 10,9 bilhões na economia de Pernambuco, mas o varejo se prepara para a data com uma dose extra de cuidado. Um estudo realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE) revela uma queda de 1,25% no volume financeiro em relação ao ano passado. Esse resultado reflete uma combinação preocupante: crédito restrito, aumento da inadimplência e o encarecimento de produtos típicos da data.
Segundo o Hub de Dados do Comércio da Fecomércio-PE, o perfil do consumidor em Pernambuco tornou-se mais conservador. A análise mostra que a inadimplência entre pessoas físicas no Brasil subiu para 5,24% neste ano, um aumento significativo em comparação aos 4,24% registrados em maio de 2025. Este crescimento no descumprimento de pagamentos impactou diretamente as concessões de crédito, que caíram 3,7% até fevereiro, dificultando as compras parceladas.
Mudanças no padrão de consumo
Rafael Lima, economista da Fecomércio-PE, afirma que a situação atual exige uma mudança no comportamento dos consumidores. “Com a inflação alta em itens essenciais e o aumento do endividamento, as famílias estão ajustando seus padrões de consumo, priorizando gastos essenciais e adiando compras menos necessárias”, explica. Ele complementa que, embora as famílias continuem comprando, agora optam por produtos substitutos de menor preço, reduzindo assim o valor médio gasto na data.
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Pressão sobre os preços dos presentes
A pressão inflacionária também se reflete nos preços dos presentes. Enquanto a inflação geral registrou 4,12%, itens tradicionais como joias e bijuterias tiveram um aumento alarmante de 21,1% nos últimos 12 meses. O setor de alimentação fora do domicílio também experimentou uma alta acima da média, com um aumento de 6,5%. Por outro lado, o vestuário feminino surge como uma alternativa mais viável, com variação de preços de apenas 3%.
Diferenciação nas vendas entre regiões
A dinâmica de vendas varia significativamente em Pernambuco. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), onde se concentra a maior parte do volume financeiro, a previsão é de movimentação de R$ 6,7 bilhões, o que representa uma queda de 6,8% em comparação a 2025. Essa diminuição se deve à alta dependência do crédito, em um cenário de juros elevados e restrições financeiras.
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Em contrapartida, no Sertão do São Francisco, a expectativa é de crescimento de 4,8%, com movimentação de R$ 276 milhões. O presidente da Fecomércio-PE, Bernardo Peixoto, destaca que os dados coletados são essenciais para o planejamento dos empresários. “Nossa análise permite que os comerciantes desenvolvam estratégias de vendas regionais, adaptando-se às particularidades de cada área. O varejo pernambucano é dinâmico”, afirma Peixoto.
Impacto do emprego no consumo regional
Peixoto explica que o bom desempenho do Sertão deve-se aos resultados positivos no emprego formal, que promovem renda e impulsionam o consumo local. “Enquanto vemos os efeitos da restrição de crédito na Região Metropolitana, o Sertão do São Francisco demonstra uma tendência de crescimento mais expressiva. Os empreendedores que entenderem as condições financeiras de suas regiões e ajustarem seus portfólios para atender à demanda por produtos de menor valor agregado se fortalecerão nesse período”, conclui.
Preocupações com o endividamento
Ainda assim, a situação de endividamento no Brasil é motivo de preocupação. Dados da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) indicam que há cerca de 82,8 milhões de adultos negativados no país. O presidente da ANBC, Elias Sfeir, alerta que o forte apelo emocional do Dia das Mães pode levar a decisões de consumo impulsivas, agravar ainda mais a situação financeira das famílias. “O endividamento das famílias, que já atinge 49,9% da renda total, é um fator preocupante, principalmente em datas comemorativas como essa”, destaca Sfeir.
Atenção ao consumo emocional
A ANBC também alerta para o risco de reincidência de endividamento, onde consumidores que acabaram de regularizar suas dívidas podem voltar a atrasar pagamentos após novas compras. “Os consumidores que ainda estão se recuperando de dificuldades financeiras pós-Natal podem assumir novos compromissos sem a devida consciência, especialmente em uma data tão significativa. Isso pode dificultar a recuperação da renda e resultar em novos atrasos”, afirma Sfeir.
Por fim, a recomendação dos birôs de crédito é que as celebrações sejam feitas com responsabilidade, priorizando presentes que se encaixem no orçamento atual. A criatividade, segundo a ANBC, é uma ferramenta essencial para comemorar a data sem comprometer as finanças.
